Após mortes de aves, Prefeitura de Ilhéus elabora plano de ação para readaptação da espécie na área urbana

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Aves em tela na varanda de apartamento em Ilhéus após árvores serem cortadas em avenida da cidade — Foto: Reprodução/Redes Sociais

Após aves conhecidas como maritacas serem encontradas mortas por moradores de Ilhéus, no sul da Bahia, a prefeitura do município informou que está sendo elaborado um plano de ação para ajudar na readaptação das aves e maritacas da paisagem urbana. As mortes ocorreram após os cortes de árvores exóticas, na Avenida Soares Lopes, onde as maritacas costumavam se abrigar.

De acordo com a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo de Ilhéus, os cortes de árvores faziam parte das obras dos acessos viários da nova Ponte Jorge Amado, conforme licenciamento ambiental.

Conforme a prefeitura, vai ser apurado se, durante o corte das árvores, preceitos legais foram violados ou inobservados.

Segundo informações do órgão, dentre as ações programadas para readaptação das maritacas, está a elaboração do plano adequado de remoção e realocação das aves para a reacomodação definitiva em novo habitat.

Outras medidas compensatórias, como o plantio imediato de mudas de espécies da Mata Atlântica, próprias para a zona urbana, com altura mínima de 1,5 metro e que não impactam o sistema viário, estão sendo adotadas como contrapartida das árvores que foram removidas, nas mediações da área da licença ambiental.

Ainda de acordo com o órgão, será feito um plantio de 200 mudas de árvores em conformidade com o procedimento “mudão”, que contempla o viveiro, transporte, cova adubada, irrigação por três meses, gradil de proteção e placa de identificação, conforme o Projeto de Arborização Urbana de Ilhéus da Superintendência de Meio Ambiente (SEPLANDES).

O órgão ressaltou que a substituição de novas árvores será feita de forma gradual, após aprovação do plano de ação pelo Ministério Público (MP-BA).

O G1 entrou em contato com o promotor Paulo Sampaio Figueiredo, do Ministério Público em Ilhéus, que informou que MP aguarda o plano de ação elaborado pela prefeitura para analisar o documento.

Caso

As mortes das aves aconteceram após a derrubada de amendoeiras na Avenida Soares Lopes, no centro de Ilhéus, que já havia feito com que as aves procurassem abrigo em varandas de prédios. A retirada de amendoeiras começou no dia 7 de julho.

Através de imagens que circulam nas redes sociais, é possível ver alguns animais caídos e moradores tentando ajudar. [Veja no vídeo acima]

Os moradores de Ilhéus têm se mostrado contra o corte das árvores, alegando a importância da arborização na cidade e de que elas servem de moradia das aves, principalmente das maritacas. Após repercussão, e ação civil pública do Ministério Publico Estadual, a derrubada foi suspensa pela prefeitura.

Selene Nogueira, bióloga da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), acredita que as mortes tenham ocorrido por estresse. A bióloga informou que apesar das suspeita, apenas um estudo detalhado pode confirmar as causas das mortes.

As oito árvores que foram derrubadas deixaram de ser moradia de centenas de maritacas. Um morador mostrou, em um vídeo, cerca de 60 aves na varanda de um apartamento.

Sobre a derrubada das árvores, a prefeitura já havia se posicionado informando que há replantio programado e a espécie que será replantada está sendo definida entre o Ministério Público e a Secretaria de Meio Ambiente. (G1/BA)