Barragem do Rio dos Macacos, próximo de SSA, passa por vistoria e Marinha reafirma que não há risco de rompimento

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Barragem do Rio dos Macacos, entre Simões Filho e Salvador — Foto: Reprodução/TV Bahia

A barragem Rio dos Macacos, entre Simões Filho e Salvador, passou por vistorias da Marinha do Brasil nesta sexta-feira (22), após o aparecimento da rachadura de cerca de 14 metros no local. Depois das inspeções, a Marinha reafirmou que não há risco iminente de rompimento da barragem.

Um técnico e dois engenheiros civis da Marinha estiveram na barragem. Por dia, são feias três visitas como essa. Eles observaram o tamanho da rachadura, se há presença de buracos ou novas fissuras. A rachadura, no dia 30 de abril, media 5 cm; no dia 11 de maio, já estava com 14 metros. Até esta sexta, não houve mais crescimento e, segundo os inspetores, se trata de uma fissura superficial.

O nível de água na barragem também é checado. Eles identificaram que, entre 7h e 14h desta sexta, houve uma redução de 2 cm. As canaletas que fazem o escoamento da água da chuva também são fiscalizadas. Os engenheiros explicaram que, como estão secas, significa que não há nenhum tipo de infiltração vinda da barragem.

Tudo é registrado em fotos para poder comparar com os resultados de inspeções passadas. O Inema também acredita que a rachadura não representa riscos, mas o Ministério Público Federal (MPF) e a Superintendência de Proteção e Defesa Civil do Estado (Sudec) discordam.

O MPF havia solicitado à Defesa Civil de Salvador (Codesal) que retirasse as famílias de áreas próximas à barragem. O prazo para a remoção dos moradores terminaria na próxima segunda-feira (25), mas a Codesal informou que o território onde estão as comunidades pertence ao município de Simões Silho e que, por isso, não poderia fazer a retirada das famílias.

Os moradores do Quilombo dos Macacos passam todos os dias pela barragem e têm medo do risco de rompimento.

“É o nosso acesso que temos para ir e vir, não tem dia, não tem hora, qualquer necessidade a gente passa”, disse o agricultou José Rosalvo.

“A barragem rompendo vai tirar a ida e vinda da comunidade. E assim, a gente está muito preocupado de ficar preso aqui dentro, mas estamos mais preocupados ainda com as vidas que vamos perder na parte de baixo”, contou Rosimeire dos Santos, moradora do quilombo.

Caso houvesse um rompimento, a água iria escorrer até a rodovia BA-526. Logo ao lado da rodovia, há uma grande quantidade de casas, muitas delas no Bosque Imperial de Inema. Os moradores da região dizem que não foram oficialmente avisados sobre a possibilidade de deixar as casas.

“Ninguém fala nada, um joga para o lado, outro joga para o outro. Será que vai tirar e depois derrubar as casas? Onde vão colocar essas pessoas?”, questionou o líder comunitário Antônio Sérgio.

Na travessa Amazonas, que seria uma das localidades atingidas caso houvesse o rompimento, os moradores também relatam mais medo e incerteza.

“Nós não estamos conseguindo dormir preocupados dessa barragem romper durante a noite e a gente não ter para onde ir”, disse a dona de casa Elizângela Torres.

“Se continuar a chuva, que vai continuar no tempo dela, e a barragem ‘pocar’, a gente não sabe se vai acordar vivo. Ninguém está dormindo aqui, dorme 4h, acorda 6h, correndo atrás de solução”, contou o pai de santo, Tiago de Oxum.

A Marinha, MPF, Sudec e Codesal se reuniram, na tarde desta sexta, com outros órgãos para tentar chegar em um acordo e decidir o que fazer com as famílias que moram nas áreas próximas da barragem.

Após a reunião, a prefeitura de Simões Filho enviou nota afirmando que a localidade de Bosque Imperial de Inema pertence ao município de Salvador e que as comunidades pertencentes ao município de Simões Filho já estão sendo mapeadas. Além disso, também foi informado que as famílias estão sendo assistidas pelas equipes de assistência social com entrega de cestas básicas.

Ainda segundo a nota da prefeitura, durante a reunião ficou definido que não será necessária a evacuação imediata, porque não existe risco iminente de ruptura da barragem, de acordo com a vistoria da Marinha.

A equipe de reportagem da TV Bahia entrou em contato com os outros órgãos que participaram da reunião, como MPF, Codesal e Sudec, mas ainda não teve retorno. (G1/BA)

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