Duas pesquisadoras da Ufba são vencedoras do Prêmio Capes 2020

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(Foto: Divulgação)

Duas teses produzidas por doutoras formadas pela Universidade Federal da Bahia (Ufba) foram premiadas pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). 

As teses vencedoras são: “Princípios de design para o ensino de biologia celular: pensamento crítico e ação sociopolítica inspirados no caso de Henrietta Lacks”, desenvolvida por Ayane de Souza Paiva, e “Vigilância genômica em tempo real de arbovírus emergentes e reemergentes”, produzida por Jaqueline Goes de Jesus.

O reconhecimento do Prêmio Capes ao trabalho da doutora Ayane de Souza Paiva na área do Ensino, “é uma oportunidade de apontar caminhos do ensino de ciências e biologia numa perspectiva, tanto crítica quanto virtuosa, visando uma formação mais abrangente que contextualize ciência com sociedade, ética e política e dar visibilidade ao caso da professora Henrietta Lacks”, afirmou Paiva.

De acordo com ela, que, atualmente, é professora do Instituto de Ciências Biológicas e da Saúde (ICBS) da Universidade Federal de Mato Grosso a tese é fruto de uma trajetória de muita implicação com a pesquisa acadêmica e com a docência, então, a conquista tem muitos sentidos e um significado especial”.

A pesquisadora não enxerga a premiação “apenas como uma conquista individual, mas uma vitória coletiva. Como mulher, nordestina e periférica da classe trabalhadora, essa premiação significa uma conquista não só minha, mas de todas as pessoas que vieram antes de mim e que me proporcionaram a materialidade desse prêmio. Como uma cientista, Ayane Paiva estende seu prêmio para todas as mulheres que lutam para ocupar espaços semelhantes, num ambiente ainda marcado pelo masculino e pelo machismo”.

Ela comemora dizendo que “receber essa premiação é dizer que o Nordeste venceu, a universidade pública venceu, as mulheres venceram e a favela venceu. O prêmio é nosso!”.  Além disso, tem “a esperança de inspirar mais pesquisadores em formação a valorizar suas pesquisas, não apenas como um produto do mestrado ou doutorado, mas como um marco de suas vidas”.

Experiência do doutorado no mapeamento genômico do novo coronavírus
Com a tese intitulada “Vigilância genômica em tempo real de arbovírus emergentes e re-emergentes”, a doutora formada pela Ufba, Jaqueline Goes de Jesus foi premiada na área Medicina II. O trabalho é resultado da participação de Jaqueline no projeto Zika in Brazil Real Time Analysis (Zibra), que teve como objetivo compreender a origem, eventos de introdução e dispersão, bem como a identificação de cepas ou genótipos com maior potencial epidêmico dos arbovírus Zika, Chikungunya e Febre Amarela.

De acordo com a pesquisadora vencedora, a experiência obtida com as pesquisas ao longo do doutorado, permitiu-lhe trilhar os caminhos que a levariam a ser a pioneira no mapeamento genético do novo coronavírus, na América Latina, no mês de março de 2020.

Jaqueline Goes teve participação como primeira autora na equipe que sequenciou, em tempo recorde de 48 horas, o genoma do SARS-CoV-2, no primeiro caso brasileiro da doença. O trabalho teve uma grande repercussão no meio científico, com ampla divulgação na imprensa e períodos científicos. 

Jaqueline também considera que “o prêmio é de toda a equipe do Projeto Zibra”, realizado através de consórcio entre a Fiocruz e as Universidades de Oxford e de Birmingham, na Inglaterra, onde Jaqueline também realizou treinamento durante o período de doutorado sanduíche. 

Em seu trabalho, foi utilizado de forma pioneira, no Brasil, um sequenciador portátil em tempo real (MinION) que integrou um laboratório itinerante que percorreu o Nordeste brasileiro. Além do impacto direto para a população estudada, a tecnologia utilizada foi transferida para o diagnóstico de arboviroses nos Laboratórios Centrais Estaduais (LACEN), ratificando a importância da ciência aberta para as emergências em saúde pública.

Os resultados obtidos a partir dos experimentos foram divulgados em cinco publicações relevantes, sendo duas destas na Nature e Science. A tese que foi defendida em 2019, também recebeu o Prêmio Gonçalo Moniz de Pós-Graduação, na categoria Egresso – Doutorado (1º lugar), e no XIII Encontro de Pós-Graduação das Áreas de Medicina I, II e III da CAPES, com o Prêmio de Melhor Trabalho de Tese.

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