EUA celebram ‘Juneteenth’, o dia da emancipação dos escravos

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Criança participa de marcha no Central Park West em celebração ao Juneteenth em Nova York, na sexta-feira (19) — Foto: Reuters/Andrew Kelly

Neste ano, a comemoração do Juneteenth ocorre em meio ao maior movimento de protesto nos Estados Unidos em décadas, depois que a morte de George Floyd – um americano negro – em 25 de maio por um policial branco causou indignação nacional. A data é conhecida também como ‘Dia da Libertação’.

O chefe do exército da Confederação, Robert Lee, encerrou a Guerra da Secessão nos Estados Unidos assinando a rendição em 9 de abril de 1865, mas foram necessários dois meses para que os escravos de Galveston, no Texas, fossem informados de que finalmente eram homens livres.

Essa data, 19 junho de 1865, foi batizada como “Juneteenth”, uma contração da palavra junho e do número 19 em inglês. Também é conhecida como o “Dia do Jubileu” ou o “Dia da Liberdade”. O presidente americano Abraham Lincoln havia decretado a libertação dos escravos dois anos e meio antes, ao assinar em 1 de janeiro de 1863 a proclamação da emancipação.

Mulher ergue o punho durante celebração ao Juneteenth em Seattle, na sexta-feira (19) — Foto: AP Photo/Ted S. Warren

Mas o Texas, que como território do sul fazia parte da Confederação, foi o último estado a libertar os escravos. Em Galveston, os escravos receberam a notícia com a chegada das tropas da União, comandadas pelo general Gordon Granger. O dia do “Juneteenth” é feriado no Texas, Nova York e Virgínia – capital da Confederação – e motivo de festas comunitárias e em bairros de todo o país.

Segundo o portal Juneteenth.com, as primeiras comemorações da emancipação ocorreram em Galveston, nos primeiros anos após o fim da Guerra da Secessão. Em 1872, um grupo de ex-escravos comprou um terreno em Houston e fundou um parque batizado como “Emancipation Park” (Parque da Emancipação, em tradução livre) para marcar a celebração do “Juneteenth”.

Muitas dessas celebrações caíram no esquecimento no início do século 20, antes que houvesse um ressurgimento nas décadas de 1950 e 1960, durante a luta pelos direitos civis. Desde então, várias empresas americanas – como Nike e Twitter – anunciaram que 19 de junho seria um feriado remunerado para seus trabalhadores.

Pessoas marcham em celebração ao Juneteenth em St. Louis, Missouri, na sexta-feira (19) — Foto: AP Photo/Jeff Roberson

O presidente Donald Trump planejou um ato de campanha neste dia em Tulsa, Oklahoma, mas decidiu adiá-lo para sábado devido à onda de críticas. Essa cidade e essa data são marcadas pela memória do maior massacre contra a população afrodescendente em 1921.

Trump justificou a mudança de data afirmando que muitos de seus amigos e apoiadores afroamericanos lhe sugeriram o adiamento como um sinal de respeito por este dia de comemoração. O feriado do “Juneteenth” é comemorado principalmente em reuniões de família e celebrações em igrejas. Desfiles também são organizados em outros locais. (G1)