PM’s justificam abordagem em jovem negro por causa de boné que faz alusão ao tráfico

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Reprodução/YouTube

Os policiais militares, Diego Alves da Silva e Gabriel Guimarães Sá Izaú, que foram filmados agredindo o entregador negro, Matheus Fernandes, 18 anos, na última quarta-feira (5), no shopping Ilha Plaza, na Ilha do Governador, Zona Norte do Rio, justificaram que o boné, utilizado pela vítima, fazia alusão ao tráfico de drogas, o que teria levado a abordagem. Segundo o jornal Extra, os relatos, na 37ª DP (Ilha do Governador), apontam também que a vítima teria encarado os agentes e possuía um volume na cintura de Matheus, que depois foi verificado que se tratava da carteira do entregador.

“Eles (policiais) disseram que desconfiaram do Matheus não pelo fato de ele ser negro, mas porque usava um boné que fazia referência ao Hulk, alcunha de um traficante também conhecido como Gil”, explicou o delegado Marcus Henrique, titular da 37ª DP.

Ainda conforme a publicação, o acessório fazia alusão ao personagem Hulk, que é apelido do traficante Gilberto Coelho de Oliveira, comparsa de Fernando Gomes de Freitas, o Fernandinho Guarabu, que era chefe do tráfico em favelas na Ilha. Ambos morreram em uma operação policial em junho do ano passado.

Para o delegado, há indícios de que os PMs cometeram crimes de racismo e abuso de autoridade. Parte da ação dos policiais foi filmada. Na última sexta, ele ouviu funcionários do shopping como testemunhas e o próprio Matheus. Pelas imagens registradas, o delegado disse que o jovem não oferecia risco e a abordagem foi “inadequada”, e ocorreu em “função de sua cor”.

O caso

O entregador, de 18 anos, relata que havia se dirigido à loja Renner para trocar um relógio que comprara de presente para seu pai. No entanto, na ocasião foi surpreendido ao ser retirado do estabelecimento por dois policiais, que prestavam serviços de “apoio de inteligência” a uma empresa de segurança terceirizada do Ilha Plaza Shopping.

Ainda conforme o relato, os agentes arrastaram Matheus até a escada de emergência e chegou a ter uma arma apontada contra sua cabeça, mesmo enquanto tentava mostrar a nota fiscal do relógio. A situação só teria sido amenizada, quando outros funcionários do shopping intervieram e gritaram para que os policiais cessassem as agressões. (BNews)