Protestos contra o racismo voltam a tomar as ruas dos EUA

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'Justiça para George [Floyd]', diz cartaz em espanhol segurado por manifestante nesta terça (2) em frente ao hotel do presidente dos EUA, Donald Trump, em Nova York — Foto: Eduardo Munoz/Reuters

Os Estados Unidos entraram nesta terça-feira (2) no oitavo dia de manifestações contra o racismo após a morte do ex-segurança George Floyd em uma ação policial em Minneapolis. Os protestos ocorrem na maioria das vezes de maneira pacífica.

Manifestantes protestam em ato antirracismo na Foley Square, Nova York (EUA), nesta terça-feira (2) — Foto: Yuki Iwamura/AP Photo

Veja abaixo um breve resumo dos protestos desta terça (2)

As duas maiores cidades dos EUA, Nova York e Los Angeles, além da capital Washington, mantêm novamente toque de recolher a partir desta noite, porém manifestantes continuam nas ruas de NY e LA após o horário permitido.

Em Atlanta, apesar de os manifestantes marcharem pacificamente, a polícia começou a lançar bombas de gás lacrimogêneo quando começou o horário do toque de recolher, às 21 horas.

Outras grandes cidades, como Portland (Oregon), não vão adotar a medida após autoridades considerarem que a violência diminuiu na noite anterior.

Os protestos começaram ainda no início da tarde na maior parte do país. Nesse início, sem grandes tumultos ou saques.

Em Las Vegas, a polícia identificou o responsável por balear um policial durante manifestação na segunda-feira: um homem de 20 anos. A cidade também teve outro tiroteio que terminou com uma morte na segunda.

Houve manifestações pelo mundo, as mais numerosas na Austrália, no Reino Unido e na França. Em Paris, inclusive, um ato com mais de 15 mil pessoas também relembrou a morte de cidadãos negros no país europeu. Houve tumulto na capital francesa e em Marselha.

Parentes e amigos de Floyd discursaram em homenagem ao ex-segurança em evento em Minneapolis.

‘Ele nunca vai ver a filha crescer’

Gianna, filha de 6 anos de George Floyd, abraça a mãe, Roxie Washington, durante homenagem na prefeitura de Minneapolis nesta terça-feira (2) — Foto: Lucas Jackson/Reuters

Parentes e amigos discursaram em homenagem a George Floyd na prefeitura de Minneapolis, que contou com a participação de Gianna, filha de 6 anos do ex-segurança.

A mãe de Gianna, Roxie Washington, lamentou — muito emocionada — a morte de Floyd. “Quero justiça por ele”.

“Ele [Floyd] nunca vai ver a filha crescer, se formar. Nunca vai entrar com ela na igreja para o casamento”, disse Roxie.

Uso da Guarda Nacional divide opiniões

O presidente dos EUA Donald Trump exibe a primeira página do New York Post enquanto fala com repórteres durante assinatura de uma ordem executiva sobre empresas de mídia social no Salão Oval da Casa Branca, em Washington, nos EUA, na quinta-feira (28) — Foto: Jonathan Ernst/Reuters

Na segunda-feira, o presidente Donald Trump chegou a dizer que era “um aliado das manifestações pacíficas”, mas pediu que os estados endurecessem a força policial contra vândalos e ameaçou chamar Forças Armadas caso a violência continuasse no país. Ele ainda reforçou o pedido para que governadores e prefeitos convocassem a Guarda Nacional para conter tumultos.

Manifestantes fazem ato contra o racismo na Foley Square, em Nova York (EUA), nesta terça-feira (2) — Foto: Yuki Iwamura/AP Photo

O pedido, entretanto, recebeu rechaço de alguns políticos, como o prefeito de Nova York, Bill de Blasio. “Não precisamos que a Guarda Nacional venha à cidade”, afirmou, acrescentando que os 36 mil policiais são suficientes para lidar com as manifestações.

“Quando forças armadas de fora vêm às nossas comunidades, especialmente nessas situações tensas para as quais não foram treinados, é um cenário perigoso”, completou.
Os pedidos pela Guarda Nacional também foram rejeitados por governadores de estados como Illinois, Oregon e do próprio estado de Nova York. Governadores republicanos, como o de Maryland, apoiaram Trump.

Washington endurece cerco

Manifestantes penduram bandeira dos EUA de cabeça para baixo em cerca em frente à Casa Branca, em Washington, nesta terça (2) — Foto: Evan Vucci/AP Photo

Um dia depois de afirmar que poderia convocar forças armadas para intervirem nos protestos antirracismo, o governo norte-americano continuou a reforçar a necessidade de medidas enérgicas contra distúrbios e saques, sobretudo em Washington.

O secretário de Justiça dos EUA, William Barr, responsável por dirigir as medidas de segurança na capital, disse que a vigilância vai aumentar nesta terça-feira.

“Vamos ter ainda mais recursos para cumprimento da lei e apoio na região nesta noite”, afirmou Barr, em comunicado.

A decisão foi tomada um dia depois de um confronto entre policiais e manifestantes enquanto Trump discursava. Fontes disseram à agência Associated Press que o tumulto começou porque as forças de segurança tentavam abrir caminho para o presidente visitar uma igreja depredada nos protestos perto da Casa Branca — o que gerou críticas de autoridades religiosas da cidade.

Um novo toque de recolher está previsto para Washington nesta terça. Centenas de integrantes da Guarda Nacional viajaram à capital para reforçar o patrulhamento.

Álcool gel e máscaras em Nova York

Em Nova York, por causa da pandemia do novo coronavírus, voluntários distribuíram máscaras e álcool gel — além de água para que os manifestantes se hidratem.

A maior cidade dos EUA ainda está sob restrições por causa da Covid-19. Só em Nova York, mais de 16 mil pessoas morreram com a doença, que já matou mais de 100 mil em todo o país.

Protestos no mundo

Paris, na França, tem protestos contra o racismo nesta terça-feira (2) mesmo contra ordens da polícia — Foto: Michel Euler/AP Photo

Os atos contra o racismo se espalharam para outros países ainda durante o fim de semana, e, nesta terça, houve grandes manifestações registradas na Austrália, no Reino Unido e na França.

Em Paris, polícia lançou gás lacrimogênio contra milhares de manifestantes que protestavam contra o racismo policial nesta terça-feira (2), citando o norte-americano George Floyd e o jovem francês Adama Traoré, que morreu enquanto estava sob custódia policial em 2016. Outras cidades como Marselha também registraram confrontos. (G1)

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