Psiquiatra ao Voz da Bahia alerta: “sexo não se restringe na atuação performática do ator pornô, a vida sexual tem outras nuances”. Assista!

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Em entrevista ao programa Meio Dia e Meia na Live do Voz da Bahia, desta quarta-feira (08), o psiquiatra Dr. Alexandre Valverde, pós-graduado em filosofia contemporânea pela Universidade de Paris, autor do livro “Ruptura, Solidão e Desordem”, falou sobre sexualidade e a importância de ter essa atenção nesse período da pandemia do novo coronavírus.

Uma questão a se pensar é como vivemos nossas práticas sexuais nesse momento de pandemia, em que a liberdade de ir e vir está reduzida devido a necessidade do isolamento social. Ao mesmo tempo há pessoas que estão sozinhas em casa e aquelas que estão em casal durante o confinamento.

Para as relações casuais, de acordo com Alexandre Valverde, é orientado que as pessoas encontrem maneiras de se proteger, o que significa também o uso da máscara durante o ato sexual. É comum pessoas burlarem a regra do confinamento, aumentando o risco da contração do coronavírus, “se você está em casa se cuidando e garante que não está exposto a covid, às vezes acaba confiando na outra pessoa que diz o mesmo, isso pode ser verdade, mas a pessoa pode estar blefando. Então você gera uma cadeia de transmissão difícil de controlar”, revelou.

Conforme o entrevistado, ainda não há um método absolutamente seguro para ter relações casuais durante a pandemia, inclusive estudos mostram a presença do vírus na secreção sexual.

Isolamento

Valverde lembra que nesse momento de restrição da liberdade de trânsito e interação gera uma série de angústias e sintomas, “a atividade sexual é uma esfera muito importante, é necessário realizar. Manter uma atividade solitária e com auxílio de recursos de mídia, construindo uma relação que poderá se concretizar quando a pandemia terminar. Teremos que colocar de molho a nossa vida intima e teremos que esperar um tempo para conseguirmos normalizar nesse novo normal que virá”, disse.

Risco do vício da pornografia

O consumo de conteúdo pornográfico é problemático por várias razões, segundo o psiquiatra, não só pelo risco de que a pessoa possa desenvolver um transtorno do consumo desse tipo de material, mas também quem são aquelas pessoas que estão se expondo ali, além da linguagem agressiva, uma situação artificial que engana as pessoas principalmente os mais jovens, desenvolvendo angústias, “o sexo não se restringe aquela prática performática do ator pornô, é uma fantasia criada para aquela indústria, a nossa vida sexual tem outras nuances e está muito distante daquela performance”, falou.

Para perceber que o uso desse tipo de material está sendo problemático é saber diferenciar se está fazendo isso eventualmente, ou diariamente e ao longo do dia. “Em psiquiatria, qualquer problema que dure mais que 15 dias seguidos, é olhado como um possível problema, é necessário procurar uma avaliação medica para saber se caracteriza o quadro”, informou.

Outra questão que o médico expõe é verificar se está sendo gerado sofrimento a partir do consumo pornográfico, “o que no começo é uma atividade prazerosa, dependendo do tempo que aquilo consome em nossa vida e da importância dada àquilo, as relações com as pessoas dentro de casa é diminuída”, salienta.

Dr. Alexandre solicita atenção a importância que está sendo dada para a indústria pornográfica e em que medida o consumo deste conteúdo está tirando a importância de outras esferas reais de sua vida. “Viver prazerosamente os encontros, respeitando a si e ao outro, se divertir com jogos sexuais, mas com a concordância da outra pessoa. Isso tem muito mais a ver com aceitar a si mesmo e ao outro do jeito que ele é do que tentar atingir o comportamento sexual e uma performance ditada por uma indústria”.

Impulsos

Problemas relacionados ao controle de impulsos, de modo geral, conforme o profissional, é uma predisposição genética, como impulsos alimentares, bebidas, consumo de substancias químicas, jogos e atividade sexual. “Quando temos problema em uma dessas áreas, a base é a dificuldade de controlar o impulso de querer fazer aquilo. Existe um âmbito, sobre uso com domínio e controle, e há um momento em que aquela fronteira é rompida e você vira refém daquela prática. Então você não consegue mais não fazer aquilo”, explica.

Ele lembra que existe tratamento especifico para isso, seja psicoterapêutico ou medicamentoso. “Vemos frequentemente em mulheres, mas homens também tem, eles que mais escondem esse problema, mas também são o que mais tem. O importante é a pessoa reconhecer essa questão, não ter vergonha de falar sobre isso apesar da reação moral negativa das pessoas”, falou.

O psiquiatra garantiu que é necessário que as pessoas mudem sua visão sobre os problemas que outras pessoas podem estar enfrentando e buscar ajudá-las. “Sempre falo que pensemos nas nossas condições com olhar clínico tentando ser o mais médico possível nesse sentido, olhar para a situação e questionar se é sinal de sofrimento, e ao invés de julgar, ajudar a pessoa a reconhecer e procurar ajuda, que existe e é possível”, contou.

Nudes

Em sua opinião na área da sexologia, Alexandre Valverde diz que tudo que é feito em consenso é permitido, lidando com seus próprios corpos de uma maneira mais livre. ” Se é feito com consentimento se torna um jogo estimulante, que gera excitação. Todo comportamento humano tem uma esfera do possível, a realização da liberdade, consentido não tem problema”, disse.

O profissional salientou a necessidade de cuidar para que as crianças e adolescentes não se exponham em nudes e, aos adultos, devem ter o cuidado de evitar expôr o rosto, “porque a gente nunca sabe o que acontece quando uma foto cai na internet, também não sabemos nas mãos de quem poderá chegar”.

Há casais que vivem juntos, mas não tem mais uma vida sexual, o entrevistado lembra que eles também podem aproveitar esse isolamento social e tentar reencontrar a liberdade sexual com o parceiro. Oportunidade de repensar práticas e entender o quanto é livre. “Interessante, que casais voltaram a se relacionar, voltaram a procurar o prazer em casa, porque estavam impedidas de fazer isso fora. O interessante de toda essa questão, é que o que está acontecendo com nossa vida sexual, está acontecendo com toda nossa vida, a pandemia nos devolveu a nós mesmos”, disse.

“A pandemia deixa claro a multiplicidade da diversidade do comportamento sexual, de jovens a idosos, as pessoas estão com mais coragem de se expor e assumirem a necessidade sexual. Para as pessoas que estão se vendo em situação de conflito é: comunicação. Falar para as pessoas que estão relacionadas com aquilo que você está vivendo. Importante as pessoas falarem sobre essas coisas para que isso não se torne uma bola de neve”, concluiu.

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Reportagem: Voz da Bahia

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