Vereador Uberdan explana sobre os decretos do prefeito para a Covid-19 e apoia Tom como vice de Rogério: “ele é agregador”

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O vereador Uberdan Cardoso (PT), concedeu entrevista no programa Meio-Dia e Meia, na Live do Voz da Bahia, nesta quarta-feira (12), e respondeu aos questionamentos que circulam em redes sociais e acerca da política de Santo Antônio de Jesus. (assista aqui a entrevista completa aqui)

Uma pergunta que não cala nas redes sociais é se o vereador mudou o discurso ou a posição. Diante disso, Uberdan Cardoso disse que sempre responde a essa pergunta no seu dia-a-dia, não com palavras, mas sim com ações. Segundo ele, o governo de Rogério Andrade (PSD) é o seu também, pois o projeto é um só, mesmo que haja divergências as vezes.

“No primeiro mandato de Dr. Euvaldo Rosa (PSD), me coloquei no lugar onde a população me colocou, e fui opositor ao prefeito contrário ao meu projeto. No segundo mandato foi a mesma coisa, a população não elegeu o meu prefeito, mas sim Humberto Leite (DEM). Nessa última gestão, eu tinha um prefeito referendado pelo meu partido, nas eleições, no meu santinho tinha ‘Uberdan e Rogério Andrade’, era um projeto que nós encorpamos. Eu estou no PT há muito tempo, nunca mudei”, explicou.

Uberdan disse que no dia que se o prefeito falar que não quer mais ouvi-lo, vai procurar outros caminhos, “mas enquanto ele me ouve, em conversas diárias por telefone, então os erros de Rogério também são meus erros. Mas os acertos dele também são os meus. Respondo a esse questionamento apresentando as obras feitas nessa gestão. apostei em um projeto que tem dado certo”, expôs.

O edil afirma que as pessoas que dizem que ele não é mais ativo como antes, são apoiadores da ‘coisa errada’ de antes, em seu discurso, disse que a oposição sente falta de um vereador que critique com embasamento, mas que também era fácil ser oposição na gestão anterior, quando havia um ‘vácuo no governo’.

“O problema é que eles não tem vereador para fazer o que eu fazia, porque o governo de Rogério não dá ousadia para isso, as denúncias ou Fake News não vão à frente, porque não tem fundamento. Eles sentem falta de um vereador que critique com embasamento, era fácil ser oposição no passado quando todo dia tinha fato na prefeitura que não tinha gestão. Tinha um prefeito gente boa, mas que não tinha dimensão da cidade que tinha na mão. Tinha um vácuo no governo, com setores onde um queria mandar mais que o outro. Mas hoje tem comando”, falou.

“O comercio não é o vilão”

Com o fechamento do comércio como medida para o enfrentamento ao novo coronavírus, os empresários e comerciantes de Santo Antônio de Jesus levantaram o movimento “o comércio não é o vilão”, criticando as decisões tomadas pela gestão do município.

Cardoso alegou ter sido a favor do fechamento do comércio, pois foi a melhor medida para impedir a circulação de pessoas. “O comércio não é o vilão, mas também não defendi o município, mas defendi a vida. Concordei no fechamento, a ideia não é ser contra o comerciante e empresário, mas sim impedir que mais pessoas circulem, para que haja uma menor condição de transmissão do vírus”, falou.

Segundo o petista, com o surgimento da pandemia no mundo, a solução era o isolamento e distanciamento social, ao chegar ao Brasil, faltou o discurso do governo federal, assim o STF (Supremo Tribunal Federal) determinou que os prefeitos e governadores decidissem quando a questão fosse o vírus. O vereador expôs que a partir disso que o vírus foi politizado. “Disseram que a covid era uma gripezinha, foi quando veio minha indignação. A opinião pública se dividiu, parecia que quem era a favor de Bolsonaro, defendia que não houvesse distanciamento e se ‘vai morrer gente mesmo, e daí?’, ‘não sou coveiro, posso passear de jetski enquanto as pessoas morrem’. Enquanto quem defendia o distanciamento social, passou a ser de esquerda e oposição de Bolsonaro”, conta.

Cardoso disse ainda que os que reclamaram das decisões da gestão a favor do comércio e circulação de pessoas não podem decidir quem vive ou morre. “Sou grande fomentador do comércio de Santo Antônio de Jesus, mas sou a favor da vida e não aceito que valorizemos mais algumas outras coisas do que a vida humana. Quem foi salvo por essa medida, talvez seja até contra ela, mas nunca vai saber que foi salvo”, relatou. Uberdan também se declarou contra a distribuição do auxilio centralizada a somente um banco, mas a favor da transferência de renda direta aos informais e autônomos, abertura de linha de crédito com juros baixíssimos, com carência de 2 anos após pandemia para que empresas não fechem e não demitam.

“O que esta em jogo, esses empresários que reclamam das decisões do prefeito tem que pedir ao Governo Federal que desse a eles oxigênio. O covid é uma doença que mata pouco, mas o coronavírus, é um vírus que contagia muito e muito rápido. Não se pode decidir quem pode morrer com a abertura do comércio, quem garante que o comércio aberto o número de hoje não seria dez vezes maior? Não se trata de comércio aberto ou fechado, mas de menos pessoas circulando”.

Kit covid

O kit covid é um dos maiores questionamentos a gestão do município, solicitado a sua opinião a respeito, o vereador disse que o vírus deve ser tratado como algo sério, de acordo com sua fala, “85% das pessoas não terão sintomas e é fácil dizer que foram curadas, se tomassem ou não tal medicação serão curadas da mesma forma. Por que os países investem bilhões em pesquisa, se tem um kit que pode distribuir a população. Um diz que cloroquina resolve o problema, outro diz que ivermectina resolve, eu coloco uma barraca de água de coco e digo que resolve também. De 100 pessoas que passará na minha barraca, 85 vão tomar a água, terão covid e não vão sentir nada. Só que 15 terão sintomas, e 5% delas será mais grave. Então dirão que Uberdan está curando a covid com água de coco. Os 15% vão se agravar mais e um grupinho vai morrer. Então a pergunta é: quem é que você quer que morra? Enquanto a morte for número, o numero não lhe toca. A gente só sente o que é morte, quando morre algum conhecido ou familiar. Se for pra evitar a morte de alguém que você ama você faria de tudo”, pontuou.

Vereador Tom, possível vice de Rogério Andrade:

Uberdan disse que vê essa parceria com muito bons olhos e que está trabalhando para que isso aconteça, “Tom é solicito e engenhoso, político agregador, se for escolhido, que seja de fato um vice na chapa. Tem sido um presidente exemplar da Câmara, estaremos bem servidos com duas pessoas extremamente sensíveis a ouvir”.

Muitos candidatos surgiram devido a rejeição ao governo de Rogério Andrade. E a partir desse fato, o edil afirmou que em eleição que polariza é natural que o prefeito eleito traga consigo o seu eleitorado e carregue uma rejeição dos apoiadores de outro candidato, porém o prefeito deve ter capacidade de governar para todos.

“É natural que você veja no seu adversário o que há de ruim, o ideal seria ver a virtude nele. Não é bom ganhar para quem não merece. O surgimento desses nomes é saudável para a democracia, traz mais, pauta e é importante para a cidade. Há candidatos de boa vontade e muitos méritos, mas isso é pouco para Santo Antônio. Todos tem rejeição, mas nem todos tem trabalho, é só por na balança”, concluiu.

Reportagem Voz da Bahia