Segurança acusado de torturar jovem em supermercado se apresenta à polícia

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-Jovem de 17 anos é torturado com chicotadas por seguranças de supermercado, em São Paulo (Reprodução/Reprodução)
Jovem de 17 anos é torturado com chicotadas por seguranças de supermercado, em São Paulo (Reprodução/Reprodução)

Valdir Bispo dos Santos, um dos seguranças suspeitos de participar da tortura de um jovem de 17 anos no supermercado Ricoy, em São Paulo, se entregou à Polícia Civil neste sábado, 7. O outro investigado, David Oliveira Fernandes, já havia sido preso nesta sexta-feira 6.

A ordem de prisão temporária – por cinco dias prorrogáveis – partiu da juíza criminal Tatiana Saes Valverde Ormeleze e acolhe representação da Polícia Civil de São Paulo. A magistrada também autorizou buscas e apreensões contra os investigados.

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A juíza anota que “há fortes elementos ligando os representados à autoria do crime de tortura, tanto que foram divulgadas gravações do ofendido sendo açoitado pelos seguranças”. “Ademais o relato da vítima é detalhado em apontar como ocorreram as agressões”.

“Outrossim, é presumível que a recolocação do representado em liberdade, após ser conduzido à delegacia, poderia frustrar completamente o intento investigativo é fácil concluir que, uma vez ciente das suspeitas que recaem sobre si, o agente buscaria apagar pistas e ocultar provas e, o que turbaria irremediavelmente as investigações. Em suma, é preciso esclarecer o mais rápido as circunstâncias do gravíssimo crime praticado, justificando o expediente”, anota a magistrada.

Reportagem de VEJA revelou que o adolescente vive nas ruas desde os 12 anos, quando perdeu o pai e desenvolveu o vício em drogas. Caçula de uma família de sete irmãos, o jovem frequentava uma favela próxima ao estabelecimento comercial e costumava receber ajudas esporádicas dos parentes, que vivem na mesma região da cidade.

Sua presença no supermercado da rede Ricoy era constante. Em uma dessas visitas, no mês passado, em data que ele não sabe especificar, foi abordado por seguranças quando tentou sair do local com uma barra de chocolate.

Valdir Bispo dos Santos o abordou e constatou a tentativa de furto. O funcionário pediu ajuda ao segurança Davi de Oliveira Fernandes e, juntos, levaram o menino até uma sala nos fundos do supermercado, onde ele foi obrigado a tirar parte da roupa e a abaixar a calça.

A dupla, então, usou fios elétricos trançados para improvisar um chicote e espancá-lo. Uma bola de papel foi colocada na boca do menino para que ele aguentasse a sessão de tortura sem alarmar os demais clientes. O espancamento se prolongou por cerca de 40 minutos, segundo depoimento do menino aos policiais do 80º Distrito Policial (Vila Joaniza), onde o caso foi registrado.

Outra investigação

Esta não é a única investigação a respeito da conduta de agentes de segurança do Ricoy. Uma mulher negra denunciou à Polícia Civil, em abril, uma abordagem de seguranças do supermercado Ricoy que a fez “imaginar estar sendo assaltada”.

O caso teria ocorrido em abril. A mulher prestou depoimento ao 98º Distrito Policial, do Jardim Miriam, zona Sul de São Paulo. A abordagem ocorreu, segundo a vítima, em uma unidade do Ricoy que fica na mesma avenida daquela em que o rapaz foi chicoteado. A rede tem duas unidades na mesma avenida, na Vila Joaniza, zona sul de São Paulo.

Em nota, o Ricoy Supermercados afirma que “apura todo e qualquer caso de violência” e que não compactua “com qualquer tipo de discriminação ou violação de direitos humanos”. O estabelecimento diz que os seguranças acusados são de empresa terceirizada e que não prestam mais serviço para os supermercados. (VEJA)

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