A caminho da Lua, foguete chinês assusta moradores do Nordeste brasileiro

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Imagem: Reprodução

Moradores de diversos estados do Nordeste do Brasil viram, na noite de segunda-feira (23), um intrigante objeto luminoso no céu. Mas não há motivo para pânico: tratava-se da missão espacial chinesa Chang’e-5, que acabava de ser lançada rumo à Lua.

Relatos, fotos e vídeos nas redes sociais vieram de cidades do Ceará, Piauí, Rio Grande do Norte, Bahia, Pernambuco e Alagoas. Muitas pessoas ficaram assustadas com a forte luz que se movia lentamente. Alienígenas? Um grande meteoro? Um balão moderno?

No momento em que passou sobre nosso país, a sonda robótica estava acoplada ao foguete Long March-5. A mancha no céu, em formato de “peteca” brilhante, é consequência da queima de combustível de um dos estágios que a impulsionavam para fora da Terra. “É um fenômeno curioso, chamado de pluma de foguete”, diz o astrônomo Filipe Monteiro, pesquisador do Observatório Nacional.

“Analisamos o horário de lançamento e os horários em que a sonda passaria pelo céu do Brasil. Então sabemos que o que foi visto por aqui, parecendo uma névoa na frente do objeto, se trata da reflexão dos gases emitidos pela queima do combustível, durante um dos estágios de propulsão do foguete”, explica.

Como o combustível de um foguete é muito volátil, é quase como mandar uma bomba aérea ao céu —por isso é importante queimá-lo aos poucos. “Se acontecer algo errado, ele explode e acaba com a missão. Então essa descarga de combustível faz com que não sobre nada que possa explodir”, conta Marcelo De Cicco, astrônomo e pesquisador do Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia).

Segundo ele, cenas assim serão cada vez mais comuns nos próximos anos. “Vivemos uma nova era da exploração espacial, com o alto desenvolvimento tecnológico aliado a custos cada vez menores. Com mais atividade humana na atmosfera superior terrestre, veremos em nosso céu mais foguetes passando e constelações de satélites como a Starlink.” E também teremos lançamentos de solo brasileiro, quando o Centro Espacial de Alcântara (CEA), no Maranhão, entrar em atividade comercial. Decolagens são previstas já a partir do ano que vem.

Chang’e-5

A histórica missão Chang’e-5 foi lançada com sucesso do Centro de Lançamento de Satélites de Wenchang, na ilha de Hainan, China. Um Long March-5 —o maior foguete chinês, com três núcleos cilíndricos, no estilo do Falcon Heavy da SpaceX— foi usado para levar uma sonda robótica até a órbita da Lua. O objetivo é coletar amostras de rochas e poeira e enviá-las à Terra.

A última vez que trouxemos amostras de nosso satélite foi em 1976, na missão Luna 24, da então União Soviética (atual Rússia). Se bem-sucedida, a China será o terceiro país a conseguir tal feito —o outro são os Estados Unidos, com as missões Apollo. A China também comprovará o potencial de sua tecnologia de exploração espacial e abrirá portas para missões mais complexas, incluindo a instalação de uma base lunar habitada, por volta de 2030. A Chang’e-5 terá duração de 23 dias, retornando à Terra no final de dezembro. A cápsula de retorno vai cair na região da Mongólia, trazendo até 2 kg de amostras da Lua.

(Uol)