Advogado denuncia abandono de acervos e fotografias dos antigos vereadores da Câmara de SAJ: “um povo sem passado é um povo sem história”

Foto: Voz da Bahia

Um vídeo que circulava nas redes sociais publicado nesta última quarta-feira (28), deixou a população santoantoniense, principalmente os mais antigos, consternados. Nas imagens, é possível ver vários quadros com fotografias e nomes de vários legisladores da década de 60, 70, 80 e 90, registros e acervos da cidade de Santo Antônio de Jesus, abandonados e quebrados.

Na manhã desta quinta-feira (28), em entrevista a Andaiá FM, o advogado e ex-presidente da Câmara de Santo Antônio de Jesus, Dr. José Reis Filho, que foi prestigiado por estar em vários acervos santoantonienses no papel de vereador, falou sobre seu descontentamento diante do vídeo e da denúncia, “realmente é uma situação absurda, eu me constrangi muito quando recebi a noticia, através de um neto do vereador Durval Samuel de Souza que foi meu vice-presidente. Eu fiquei muito triste pela desimportância que foi dada a historia de Santo Antônio de Jesus. Já é corriqueiro em nossa cidade, não temos um espaço para preservação da memória. Temos uma biblioteca que tem uma sala com arquivos jogados no chão”, expôs.

O advogado cobrou aos órgãos públicos municipais para que cuidem dos acervos e arquivos da cidade. Além disto, falou sobre uma conversa que teve com o atual presidente da Câmara, Francisco Damasceno, o Chico de Dega (DEM), que se posicionou diante da denuncia, “esperemos que a secretária Silvia Brito, tome atitudes para preservar a memória de Santo Antônio de Jesus. Um povo sem passado é um povo sem história, e evidentemente será um povo sem futuro. Ontem eu liguei para o presidente da Câmara Chico de Dega, não consegui um contato, mas mandei uma mensagem e já no final da noite ele me dava um retorno dizendo que hoje ainda estaria adotando as providencias para o resgate e recuperação desses quadros”, pontuou.

Zé Reis como também é conhecido, falou sobre a historia da sede da Câmara de Vereadores, “esses quadros tem toda a historia da Câmara. Quando nós fizemos a sede quando eu presidi de 1983 a 1985, e como muito esforço conseguimos fazer na lei que fez a doação do terreno na Praça Padre Mateus, o presidente então era Cleriston Andrade, conseguimos que o prédio antigo do banco ficasse para a Câmara, que foi a sede própria da Câmara durante muitos anos”, relembrou.

Reis aproveitou para criticar a reforma da Câmara de Vereadores, que foi presidida pelo ex-presidente Antônio Nogueira Neto, o Tom (PSB), “fizeram esta reforma recente – que diga-se de passagem de forma açodada ao esforço do ex-presidente Tom – foi um verdadeiro desperdício. Fizeram a ‘Casa do Povo’ sem lugar para o povo. Nós temos um auditório mas não temos uma recepção. Hoje as noticias que eu recebo é que está tendo aglomerações nos corredores da Câmara, porque o gabinete do vereador tem lugar para o edil e um assessor, e cada vereador tem 3 assessores. O pior, quem chega para falar com o vereador, não tem espaço. Fica aqui a sugestão, para que utilizem o plenário da Câmara, mesmo que indevidamente porque o plenário não é lugar para isto, para colocarem as pessoas sentadas e conversar com seus representantes. Não tem recepção na Câmara. As áreas de trabalho são as chamadas: ‘baias de trabalho’, fazendo que os funcionários trabalhem a menos de um metro um do outro. É um prédio inteligente como se diz, com captação de água de chuva, com acessibilidade, elevador, mas não tem onde receber o povo. Tem uma sala grande de reuniões que pode ser utilizada para colocar os quadros”, concluiu.

Redação: Voz da Bahia