Corpo de estudante morta no Campo Grande em Salvador é enterrado: ‘Todo mundo estarrecido’

Foto: Paula Fróes/Correio

Capela do cemitério, o corpo foi sepultado por volta das 17h

Amigos e familiares de Cristal Rodrigues Pacheco se reuniram para o velório e enterro da jovem, no Cemitério Campo Santo, na tarde desta terça-feira (2). A adolescente de 15 anos foi morta em uma tentativa de assalto quando ia para a escola (reveja aqui), na manhã de hoje, no Campo Grande. As duas suspeitas de praticar o crime estão sendo procuradas. 

Depois do velório e da missa na capela do cemitério, o corpo foi sepultado por volta das 17h, em meio a muita emoção. 

Amiga da mãe de Cristal, Edilânia de Oliveira, 35 anos, disse que todos que conhecem a família estão chocados com o crime.

“Sou amiga da mãe dela de anos, a filha dela vivia lá em casa com minha filha. Uma mãe muito protetora, cuidadosa. Quando ia lá para casa, fazia questão de levar, de pegar. Está todo mundo estarrecido, em choque ainda”, disse Edilânia.

Pais de Cristal durante o sepultamento (Foto: Paula Fróes/Correio)

Ela afirmou que Cristal era uma garota doce e que a perda é grande também para os amigos. “Muito educada, uma menina doce, comportada. Não tenho palavras para descrever. Minha filha está abalada, sem acreditar. Está todo mundo sem acreditar. Estive com a mãe dela mais cedo, está dilacerada, a família toda dilacerada. E nós mães, que temos filhos, a mesma coisa. Ela perdeu a filha dela e a gente perdeu um pedacinho também”, acrescentou.

Edilânia informou também que os amigos e colegas de Cristal estão organizando um ato pedindo por justiça para essa quarta-feira (3), no Campo Grande. “Ela também estudava na sala de minha filha, o grupo da sala, a gente vai se mobilizar”, disse. O horário ainda vai ser decidido. 

(Foto: Laiz Menezes/Correio)

“Oito anos atrás, ela foi porta aliança do meu casamento”, lembrou Nilton Cesar Santos de Jesus, 47 anos, primo da mãe de Cristal, que também estava no enterro. “É pedir força a Deus, que Deus conforte a nossa família. Arma tem que ficar na mão de policiais, não na mão de bandido. E a gente está vendo nossos governantes querendo armar a população. Vamos desarmar, e não armar. Vamos arrumar para os jovens esporte, trabalho, educação melhor”, afirmou Nilton. “Espero que a justiça seja feita e Deus tá lá em cima olhando tudo. É difícil, muito difícil”, disse, emoacionado.

Ele relembrou a adolescente. “Uma pessoa alegre, divertida, que só queria o bem. Gostava muito de estudar. Uma filha que queria dar orgulho pros pais. A lembrança que vai ficar de Cristal”. 

Amiga de Cristal, a estudante Mariana Guedes, 14 anos, pediu orações pela jovem e relembrou a relação de confiança que elas tinham. “A gente estudou junta por 4, 5 anos. Ano passado ela saiu da escola, mas a gente não perdeu contato em momento algum. A gente continuou saindo, se vendo. Não vou mentir que tenho ótimas lembranças dela, era uma menina incrível, de verdade. Um amor de menina, muito talentosa, atenciosa com todo mundo. Teve vários momentos que eu precisei dela e ela realmente esteve comigo, perto de mim, me acolhendo. É difícil, muito difícil ver que por conta de um erro falho da nossa segurança, do nosso Estado, a gente perdeu uma menina que… Não foi só tio Sérgio e tia Sandra que perderam ela, foram todos nossos amigos, familiares. Muita gente que sabia o valor que Cristal tinha. A gente pede orações. Rezem, porque Cristal merece. Ela era um doce de criança, um anjo”, disse a adolescente. 

Estudante da mesma escola da vítima, Camile Eduarda Ferreira de Jesus, 17 anos, também estava no velório, mesmo sem conhecer Cristal, somente a irmã mais nova dela. “Eu moro no Corredor da Vitória, a gente percorre o mesmo caminho que ela, andando. Hoje foi horrível. A sensação é medo, porque poderia ser eu, poderia ser eles (amigos). A gente nunca sabe. Não sei o dia de amanhã, quem vai ser amanhã”, afirmou.

A adolescente afirmou que casos de violência são comuns na região do crime. “É a situação daquele local em que ocorreu, acontece direto, a gente sabe que acontece. Mas não tinha necessidade de matar uma criança de 15 anos, do lado da irmã de 12”, lamentou. “É muito triste, não tem opção. Elas moravam pertinho e em questão de minutos ocorreu isso. E logo de manhã”.

Amigos relembram
Estudante do 9º ano do Colégio das Mercês, Cristal estava a caminho da escola, acompanhada da mãe e da irmã quando foi baleada no peito, durante uma tentativa de assalto.

“Minha filha é amiga de Cristal desde os dois anos de idade. Ela está muito abalada de perder a amiga, assim como a escola toda quando soube da notícia”, relatou a dona de casa Eliene de Brito Alves, 43, amiga da família.

“Cristal era uma menina inteligente, estudiosa e estava no 9° ano. Era uma menina cheia de sonhos, se dedicava demais aos estudos dela e, hoje, foi tudo levado, né?! Dela e dos pais”, lamentou a dona de casa.

Ainda segundo Eliene, os alunos que transitam por ali viraram alvo dos assaltantes. “Eles ficam deitados aqui na praça, enrolados e fingindo que estão dormindo. Esperam a gente passar e chegam de faca, de canivete e até sem nada, mas vêm amedrontando a gente”, descreveu.

A insegurança da região era o que motivava os pais da adolescente a acompanharem as filhas todos os dias até a escola. “Estavam as duas acompanhadas da mãe e do pai. Sempre se preocuparam com a segurança de Cristal e Fernanda, buscando e levando. No entanto, nem isso impediu ela de morrer nos braços dos pais”, explicou Eliene. Ainda segundo ela, não houve reação à abordagem.

Mãe de alunos da escola, Eliene diz que o policiamento na região deve ser reforçado. “Tenho dois filhos lá, nos preocupamos e viemos pedir segurança para essa região durante o dia todo, mas principalmente de manhã cedo e início da noite. Não dá para seguir assim”, cobrou a dona de casa.

'Era uma menina cheia de sonhos', diz amiga da família de estudante morta
(Foto: Reprodução)

Entenda o caso
A adolescente Cristal Rodrigues Pacheco, 15 anos, que seguia para a escola, foi morta durante uma tentativa de assalto, a pouco metros da sede do Comando Geral da Polícia Militar.

Moradora do Corredor da Vitória e estudante do Colégio das Mercês, a adolescente estava acompanhada da mãe e da irmã quando foi abordada. Segundo informações iniciais, no meio da ação, uma das suspeitas, que carregava uma pistola calibre 653, colocou a arma no peito da vítima e disparou contra ela antes de fugir.

O crime aconteceu em frente ao Palácio da Aclamação, próximo ao Campo Grande. Cristal não resistiu aos ferimentos e morreu antes mesmo de ser atendida, ainda com o uniforme da escola. A mãe e a irmã de Cristal não sofreram ferimentos e estão em casa.

Em nota, a Polícia Militar informou que foi acionada por volta das 7h através do Cicom. Equipes do 18º BPM, unidade responsável pelo policiamento da região, foram até o local e já encontraram a estudante baleada.

Os policiais acionaram o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que constatou a morte da vítima. A área foi isolada até a chegada do Departamento de Polícia Técnica (DPT) e da Polícia Civil, que investigará o crime.