Deputados estaduais vão discutir uso medicinal da maconha na Bahia

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O uso medicinal do Canabidiol como opção de tratamento para epilepsia, autismo e outras doenças será debatido durante uma audiência pública na próxima terça-feira (9), na Assembleia Legislativa da Bahia (Alba). O evento será às 9h, na Comissão de Saúde da casa.
Proposta pela deputada estadual Fabíola Mansur (PSB), que é médica e defensora da regulamentação do uso terapêutico do canabidiol no estado, o evento deve reunir médicos especialistas na área, juristas, associações e familiares de pacientes que necessitam do uso do medicamento.

O canabidiol é um dos 60 compostos existentes na cannabis sativa e não provoca nenhuma reação psicoativa no paciente. Seu uso já é uma realidade no Brasil desde que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o uso do medicamento, entretanto, os pacientes só têm acesso ao canabidiol através de exportação, que é autorizado judicialmente, já que a produção do remédio ainda não é regulamentada no Brasil. Uma ampola do produto chega a custar R$ 3 mil quando comprada no exterior.

“Já é cientificamente comprovado o resultado do canabidiol na vida dos pacientes que sofrem com a epilepsia, o Transtorno do Expectro Autista, câncer, e muitas outras doenças crônicas. Isso não se discute mais, já é reconhecido pela Anvisa e pelo Conselho Federal de Medicina. Os médicos já prescrevem o medicamento. O que está em questão é a superação do preconceito no Brasil e a falta de conhecimento, que estão contribuindo com esse atraso”, explica Fabíola Mansur, que é a representante da Bahia na Frente Parlamentar Interestadual dos Direitos da Pessoa com Epilepsia.

Ainda segundo ela, “há milhares de pessoas, por exemplo os pacientes de epilepsia, que vivem em situação de vulnerabilidade, que sofrem crises convulsivas e poderiam ter uma qualidade de vida melhor se tivessem facilidade no acesso ao medicamento. É uma questão de saúde pública, mas também social”.

Fila da Cannabis
Em 2017, o CORREIO produziu o especial Fila da Cannabis, que mostra a luta de outros pais e mães baianos para conseguir um tratamento melhor para os filhos. O especial, com reportagens de Alexandre Lyrio, revela histórias de pacientes que, além de crises convulsivas e outros problemas graves, enfrentam a burocracia e pagam fortunas para importar o chamado canabidiol ou CBD.

Uma das histórias era a de Laurinha, então com 2 anos de idade, que nasceu microcefalia. Os pais dela também conseguiram autorização para produzir o canabidiol. (Correio) Assista: