Feira de Santana: eleição reedita briga entre ‘Zés’ em meio a terceira via e candidato do PSOL

Zé Ronaldo tenta se eleger para um sexto mandato em Feira de Santana

Foto: Reprodução/Arquivo

A eleição municipal em Feira de Santana, segunda maior cidade da Bahia, tem todos os elementos para ser acompanhada de perto por quem gosta de uma boa disputa eleitoral. Com o prefeito, Colbert Martins (MDB), reeleito e sem condições, portanto, de entrar de novo na disputa, duas grandes forças da cidade pretendem se enfrentar – mais uma vez. Agora, no entanto, com uma terceira via possível de olho Prefeitura.

Quatro vezes eleito pelo povo da Princesinha do Sertão, José Ronaldo (UB) vai tentar um quinto mandato. Experiente, o político tem a seu favor a história que construiu na cidade, além da popularidade. Zé Ronaldo, como é conhecido, não esconde a vontade de comandar o município mais uma vez. Ele, que pretendia concorrer a vice-governador na chapa de ACM Neto em 2022, foi preterido em favor de Ana Coelho (Republicanos).

À imprensa, inclusive a este Política Livre, o político diz que só decidirá oficialmente sobre a disputa em janeiro. “Só vou tomar essa decisão em janeiro. No momento estou conversando, dialogando com as pessoas, com os amigos, andando em Feira de Santana. Estou refletindo sobre isso, avaliando o cenário. Vou ouvir as pessoas, a sociedade”, declara.

Zé Ronaldo relata ter sido convidado para ser candidato a prefeito pela primeira vez em 1988 pelo então prefeito José Falcão da Silva, que agradeceu muito na oportunidade em que era deputado estadual de primeiro mandato, mas não aceitou. ”

“Em 1996, fui novamente convidado a ser candidato a prefeito pelo então governador Paulo Souto (União) e pelo então senador ACM e não aceitei. Em 2000, eu já era deputado federal e ouvia muito o povo nas ruas me convidando para ser candidato a prefeito e aí eu aceitei porque era uma coisa que estava vindo da sociedade”, lembra.

Se Zé Ronaldo faz mistério, um outro Zé, seu adversário, já colocou o bloco na rua. Trata-se de Zé Neto (PT), deputado federal, ex-deputado estadual e ex-vereador da cidade. Em julho deste ano, sua legenda já sinalizou que ele será o nome a aparecer na urna. Essa será a sexta tentativa de ganhar do político, que em 2020 chegou a passar para o segundo turno em primeiro lugar, mas foi superado então adversário, Colbert.

A indicação de Zé Neto foi endossada recentemente pelo ex-governador e senador da República Jaques Wagner. “Temos a candidatura de Zé Neto, que cresceu na última eleição. Ele cresceu, acumulou, foi para o segundo turno. Bom, perdeu no segundo turno, ok, mas repito: saiu maior do que na eleição anterior. Então o nome dele agora já tem o acúmulo”, afirma Wagner, afirmando que o partido e o candidato na cidade vêm crescendo.

Mas há, entre Zé Neto e Zé Ronaldo, um novo elemento: o deputado estadual Pablo Roberto (PSDB). Ex-aliado dos ‘Zés’, o tucano também tem a garantia do seu partido de que estará na urna no próximo ano. Desde que externou sua vontade de concorrer, mesmo contra Ronaldo, a relação de Roberto com o grupo que o elegeu tem desandado. Recentemente, um aliado seu foi exonerado da administração de Feira.

A iniciativa foi vista como uma demonstração de que Colbert escolheu um lado. Como a eleição em Feira tem dois turnos, há bastante expectativa sobre o comportamento de Pablo Roberto, que pode ser o fiel da balança no próximo ano, caso ele esteja fora da disputa em um segundo momento.

É preciso citar ainda que, em Feira, o PSOL tem um candidato com o mínimo de competitividade. Vereador da cidade, Jhonatas Monteiro teve 31 mil votos em 2022 e, se não disputa com muitas chances a cadeira de prefeito, pode desequilibrar o jogo num eventual segundo turno também. (Política Livre)

google news