Grupo encapuzado invade e derruba parte de casa com família dentro, em Salvador: ‘Ferida está na alma’

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Foto: Comunidade Vila Marisa / Divulgação

Duas casas foram parcialmente derrubada por um grupo encapuzado, na terça-feira (2), na comunidade Vila Marisa, ocupação no bairro Vale dos Lagos, em Salvador. Uma família ocupava um dos imóveis, no momento da ação. Não houve feridos.

Por meio de nota, a Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social da Bahia (SJDHDS), vinculada ao governo da Bahia, disse que tem acompanhado a situação da Comunidade Vila Marisa, e classificou o caso como uma “ação de extrema violência e violação dos direitos humanos”.

Disse também que, na manhã desta quarta-feira (3), encaminhou a denuncia feita pela comunidade ao Ministério Público e à Defensoria Pública do Estado.

Segundos uma moradora da comunidade, os suspeitos chegaram ao local, quebraram uma ponte e, em seguida, desligaram a luz, para dificultar a movimentação dos moradores. Cerca de mil famílias moram na comunidade.

“No meio da comunidade, passa um rio e temos uma ponte, eles então demoliram a ponte para que ninguém passasse de um lado para o outro. Depois, eles deligaram as luz”, disse uma das lideranças da ocupação.

Na sequência, eles foram até as duas casas. Em uma delas, a que estava habitada, eles entraram no imóvel e começaram a quebrar as paredes.


“A família dentro dormindo, e eles demolindo tudo. Todo mundo teve que sair de casa. A dona da casa é uma pessoa boa, que trabalha. Eles demoliram a casa de dentro para fora”, disse.

A moradora disse ainda que eles só não quebraram todo o imóvel porque um dos moradores do local chegou de carro no momento.

“Eles não conseguiram colocar a casa toda no chão. O povo começou acordar, a gritar. Nesse mesmo momento, o presidente da associação chegou de carro. Quando eles viram o carro, eles saíram correndo. Eles quebraram as paredes todas, mas as estruturas não”, revelou.

Por causa da situação, a dona da casa atingida precisou de ajuda de outras famílias.

“Fisicamente, ninguém ficou ferido. A ferida está na alma, no coração. As criança pediram para que eles não matassem a mãe. Essas feridas demoram para cicatrizar”, relatou a moradora.

Ainda de acordo com a moradora, desde novembro do ano passado que ataques como esse ocorrem na comunidade.

“Desde novembro que pessoas encapuzadas fazem isso. Eles chegam ameaçando todos. Eles chegam com arma de fogo. Ameaçando. Na primeira ação deles, vieram de dia e demoliram duas casas que estavam em construção. A casa estava em pé. Eles usam marreta para demolir”, contou.

A moradora revelou que eles sempre alegam que o terreno tem dono, mas que nunca apresenta provas.

“Eles dizem que é deles, mas não têm provas. Não apresentam. Tá rolando na justiça o processo sobre a posse da terra, mas ainda está rolando”, falou. (G1)

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