Sobre aquisição da Ivermectina e Azitromicina no combate a Covid; diretor do Incar intitula de: ‘atitude arriscada da secretaria de saúde de S. A. de Jesus’

Diretor médico do Hospital Incar de Santo Antônio de Jesus, Dr. Arthur Gonzáles / Foto: Voz da Bahia

Na noite desta última sexta-feira (06) o diretor e médico cardiologista do Hospital Incar, Dr. Artur Gonzáles em entrevista a Andaiá FM expôs sua opinião acerca da aquisição pela secretaria de saúde municipal de 60 mil Ivermectinas e 60 mil Azitromicinas no combate a Covid-19 em Santo Antônio de Jesus (reveja aqui). Dr. Artur acha ser uma atitude arriscada pela pasta da saúde.

VACINAS CONTRA COVID NA REDE PRIVADA?

Inicialmente Dr. Arthur revelou que não concorda com a colocação das vacinas contra Covid-19 no sistema particular de saúde, “a priori eu tenho certo preconceito em relação à liberação da vacina para o sistema privado porque a gente não sabe a quantidade de vacinas ainda que seja disponível então não sabemos se vai concorrer à nível de SUS (Sistema Único de Saúde) ou levar a uma vacinação de maneira assimétrica no país, quem pode pagar terá e quem não pode não terá”, diz.

POSSÍVEL COLAPSO NA SAÚDE:

O cardiologista ainda revela que o quadro é um possível colapso no sistema de saúde, “a gente tem que entender que a doença tem uma característica, uma média de internamento de 3 semanas, então essa essas mortes que a gente está vendo agora é uma morte de uma contaminação que aconteceu a 30 ou 40 dias. a gente está vendo que cada dia está aumentando os números de pacientes ativos, dia após dia na nossa cidade, na nossa região e no nosso país, então na verdade a situação só tende a piorar nas próximas semanas não há tendência de melhora no momento”, ‘expôs.

CONTROLE:

Durante a entrevista o médico reforça que a única maneira de diminuir os números da pandemia é diminuindo o número de pessoas doentes, “se a gente controla os números de casos ativos, a gente controla a pandemia e é isso que deveria ser o foco de todos os cidadãos. As pessoas que estão preocupadas com as atividades econômicas, elas devem se preocupar, porém não há outro caminho que não seja o funcionamento anormal, o anormal vai ser determinado de acordo com o que estiver acontecido em cada cidade, em cada região, levando-se em conta o número de pessoas doentes e o número de pessoas internadas, além, dos números de pessoas em UTI. Essa equação deve ser avaliada a cada 10 dias e medidas de distanciamento social devem ser tomadas desde o horário de funcionamento menos restritivo ou mais restritivo à atitudes mais rígidas, isso vai depender muito do que vai acontecer”, relatou.

AQUISIÇÃO DA IVERMECTINA E AZITROMICINA:

Ainda em entrevista, o diretor do Incar foi questionado sobre a aquisição dos medicamentos Ivermectina e Azitromicina pela Secretaria de Saúde do município. O cardiologista denomina uma atitude arriscada, “provavelmente a Prefeitura de Santo Antônio de Jesus deve ter muito recurso para comprar medicações à vontade, a gente que trabalha com cardiologia ver a falta de remédio para hipertensão, que a gente sabe que tratar hipertensão evita morte, não há dúvida sobre isso, evita AVC, evita insuficiência cardíaca, mas faltar remédio para hipertensão não é uma coisa particular dessa gestão, mas é uma coisa regular no Sistema Único de Saúde infelizmente. Diabetes também a gente usa medicações de 30, 40 anos atrás, existe novas medicações para diabetes e não é disponível dessa em nenhum posto de saúde, mas talvez o gestor ou secretário de saúde baseado em opiniões de algumas pessoas estão adotando a conduta que não há referência pela ciência no momento, possa ser que daqui há algum tempo haja essa possibilidade, mas no momento pela luz da ciência atual, não há nenhum benefício em tratamento com hidroxicloroquina nem Ivermectina, inclusive, vem saindo novos trabalhos regularmente mostrando que não há benefício, então, eu acredito que vamos errar muito fortemente, porque isso também vai gerar uma sensação na população que ao tomar o remédio ela vai ficar boa e é ali onde mora o perigo; as pessoas precisam entender que a doença tem um ciclo de 14 dias, elas precisam se isolar e talvez seja a medida mais importante. É preciso que a prefeitura e o sistema público de saúde garanta exames de maneira rápida para qualquer pessoa que tenham sintomas e a todos os seus contactantes, buscar quem está infectando essa pessoa, isolá-la e fazer uma maneira de rastrear pessoa a pessoa, esse é o caminho de diminuir a transmissão”, opinou.

Redação: Voz da Bahia