Fisioterapeuta que sobreviveu a 69 facadas relata como está a vida hoje: ‘Lutei até o fim’

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“Cada dia sinto me renovada”, revelou a fisioterapeuta – Foto: Reprodução / Instagram

Seis meses após sobreviver a 69 facadas a mando do ex-namorado, a fisioterapeuta Isabela Conde relatou que depois do episódio traumático, aos poucos volta a rotina. “Hoje tenho certeza que todas as minhas desconfianças foram verdade”, afirmou, em entrevista ao Varela Notícias.

O crime aconteceu em Salvador na noite do dia 28 de fevereiro. Após a sequência de agressões, Isabela já esperava pela própria morte. “Eu estava me defendendo o tempo inteiro, protegendo meus órgãos vitais, usando meu corpo para me defender, mas fui ficando fraca, fui cansando de lutar pela minha vida e esperei pela morte. Eu pensava: ‘Meu Deus, você vem me buscar? Não me deixe sofrer na mão desses homens. Não deixe que minha morte seja lenta’”, contou.

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“Quando chegou o momento que eu vi que eles não iam parar, eu pensei: ‘Vou ter que me fingir de morta’”, disse a fisioterapeuta, que viveu um dos piores momentos da sua vida.

Atualmente, Isabela tenta viver uma vida normal, e contou o quanto foi difícil voltar a realizar tarefas que faziam parte do seu cotidiano. “Sentia muita falta da minha rotina. Sempre gostei de ser mãe, fisioterapeuta, dona de casa, e isso me deixava triste porque eu estava muito debilitada”, afirmou. “Precisei focar somente na minha melhora”, disse.

“Tratamento psicológico, atividades físicas [quando fui liberada], fisioterapia, cuidar da aparência, das cicatrizes, assim fui fazendo para me sentir melhor”, contou a fisioterapeuta, que buscou vários meios para se recuperar das sequelas deixadas pelo crime.

Em entrevista ao VN, a psicóloga Patrícia Pina revelou que cuidar da saúde mental, nesses casos, é indispensável. “O acompanhamento psicológico se faz importante, para o resgate da autoestima e da valorização da pessoa como um todo, despertando mudanças e atitudes, em busca do enfrentamento da vida”, disse. “Elas se sentem inseguras, indefesas e acuadas, em função de não terem a quem recorrer para obter um apoio necessário nesta situação, porque ela acredita na sua incapacidade, inutilidade e baixa autoestima, pela perda da valorização de si mesma”, concluiu.

Bolo de aniversário em comemoração aos 37 anos de Isabela, com o tema: “Não ao feminicídio” – Foto: Reprodução / Instagram

Isabela ainda revelou que, atualmente, desconfia de determinados comportamentos. “Agora desconfio mais de determinados comportamentos. Intuitivamente, já desconfiava de alguns comportamentos dele [ex-namorado], eu sabia que tinha alguma coisa errada, isso que me fez tentar terminar o relacionamento. Hoje tenho certeza que todas as minhas desconfianças foram verdade, agora preciso aprender a dizer não: não posso, não quero. Nunca denunciei porque não achava que ciúme e possessividade pudessem levar a esse ponto”.

“Sempre tive dificuldades de dizer não. Sempre fui muito sensível e me preocupava muito com as pessoas. Isso não mudou, mas hoje tenho um olhar mais malicioso. Tenho aquela visão de que alguma ação pode levar a outra. Não que eu vá me fechar pro mundo ou não me relacionar, mas criei uma malícia que não tinha antes”, contou a fisioterapeuta.

Além de mudanças na personalidade, Isabela hoje reserva um tempo para orientar mulheres que sofrem ou já sofreram agressões. “Aprendi e passo para algumas mulheres que temos que estar em alerta a sinais de machismo, a sinais de possessividade. Não é só agressão, não é só um tapa, ou só um grito”, alertou.

Isabela, atualmente, busca ajudar mulheres que já sofreram agressões e tentativas de feminicídio – Foto: Reprodução / Instagram


(Varela Notícias)

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