Jack Phillips detalha vandalismo e ameaças de morte após recusar fazer bolo de união gay

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O confeiteiro cristão Jack Phillips ficou conhecido por enfrentar uma longa batalha judicial para garantir sua liberdade religiosa contra a militância LGBT. Ele acaba de publicar um livro em que narra todas as hostilidades e ameaças sofridas ao longo dos anos.

O livro The Cost of My Faith (“o custo da minha fé”, em tradução livre) descreve o início dos problemas com a militância LGBT e os processos nos tribunais, até sua vitória na Suprema Corte, e também detalha a agressividade dos protestos contra ele e sua empresa.

Todo o atrito começou quando, em julho de 2012, ele recebeu dois rapazes em sua confeitaria pedindo um bolo para celebrar sua união: “Sentei-me, apresentei-me […] soube imediatamente qual seria a minha resposta […] ‘Sinto muito, rapazes, não faço bolos para uniões do mesmo sexo’”.

Phillips compartilhou trechos da história narrada no livro numa entrevista concedida ao podcast de Billy Hallowell, da plataforma Edifi. Segundo o confeiteiro, os homens ficaram frustrados e deixaram o estabelecimento expressando sua raiva.

“Fiquei pasmo. Tentei ser educado. Eu tentei, nessas frases, deixá-los saber que ficaria feliz em servi-los em qualquer outra capacidade […] mas com um bolo, por causa da mensagem e da minha fé, que eu não pude criar”, relembrou.

Retaliação

O confeiteiro disse que seu telefone começou a tocar 20 minutos após recusar fazer o bolo para a dupla, e em seguida, e-mails começaram a inundar sua caixa de entrada. Esse rápido encontro logo se tornou um debate nacional e, em outubro – apenas três meses depois – Jack Phillips foi informado de que estava sendo processado pelo estado do Colorado.

“[A Comissão de Direitos Civis do Colorado] exigiu que eu mudasse minhas políticas, ignorasse minha fé […] E quando estou na confeitaria, não consigo exercer minha liberdade de religião”, pontuou, acrescentando que se aceitasse um acordo, não teria direitos sobre o desenho de seus bolos, além de ser obrigado a se reportar à comissão trimestralmente por dois anos, enquanto treinava novamente sua equipe para atender aos padrões do governo.

Diante de tamanha ingerência estatal, Phillips manteve sua posição e lutou contra o governo no tribunal. À medida que a batalha legal avançava, ele acabou decidindo simplesmente parar de fazer bolos de casamento: “Decidimos que a maneira de contornar isso seria não criar bolos de casamento. Estávamos fazendo provavelmente 300 bolos de casamento todos os anos. Mas tivemos que desistir disso”, relatou ele, dimensionando o prejuízo financeiro.

Todos os últimos nove anos foram vividos em meio a batalhas legais decorrentes da decisão de recusar aquele bolo sobre a união LGBT, além das ameaças. Na entrevista, ele contou “os e-mails e os telefonemas às vezes eram horríveis”, o que o forçou a atender a todas as ligações à empresa, para poupar seus funcionários da hostilidade dos militantes.

Em pouco tempo, os telefonemas desagradáveis se transformaram em algo criminoso: “Vandalizaram nossa loja. Recebemos ameaças de morte. Um cara me ligou um dia, disse que estava no carro, tinha uma arma, estava a caminho da loja e estava indo para estourar minha cabeça […] o homem não parava de ligar e ligar. Era uma loucura”, narrou.

Perseverança

Ao longo das batalhas judiciais, ele viu seu sobrinho entregar a vida a Jesus Cristo por conta de seu testemunho de fé. Enquanto os processos iam a vinham dos tribunais, ele perseverou, até que a Suprema Corte deu a ele ganho de causa, revertendo a punição que o estado do Colorado o havia imposto.

Jack Phillips ainda enfrenta as consequências de uma instância separada de 2017, em que um cliente entrou em contato com a padaria e pediu um bolo para comemorar a transição de gênero – algo que ele recusou, de acordo com informações do The Christian Post.

Ele voltou ao tribunal para lutar por causa do incidente, e apesar de todo o transtorno, deixou claro que acredita que Deus o sustentou durante toda a provação: “Deus providenciou tudo de que precisávamos até o fim”.

por Tiago Chagas / Gospel +