Rede estadual de ensino reúne dois anos em um; professores e alunos relatam dificuldades

Foto : Carol Garcia/GOVBA

Após um ano parada por conta da pandemia da Covid-19, a rede estadual de ensino na Bahia retomou as suas atividades. Há quase um mês, professores e alunos vivem uma nova forma de ministrar e participar de aulas. De maneira remota, o cronograma de 2020 será recuperado junto com o planejamento para 2021.

Em entrevista a Mário Kertész, no programa Jornal da Bahia no Ar, da Rádio Metrópole, o secretário estadual da Educação, Jerônimo Rodrigues, revelou que o planejamento original não previa aulas virtuais, mas devido ao tempo perdido e à piora da crise do coronavírus, foi a solução encontrada.

Dois anos em um

O ano letivo iniciado no dia 15 de março é contínuo, ou seja: reúne dois anos em um. Por isso, a carga horária é maior, com aulas de segunda a sábado. No total, serão 1.500 horas de aulas – 700 correspondentes ao ano passado e 800 a este ano.

As aulas são transmitidas diariamente em salas do Google, no canal da Educação Bahia, no YouTube, e no Educa Bahia, na TVE. Os colégios também têm disponibilizado as atividades impressas. “A escola falou que os alunos que não tivessem acesso à internet poderiam ir lá pegar”, afirmou a estudante Maria Alice da Silva, de 16 anos, do Colégio Estadual Thales de Azevedo, no Costa Azul.

Auxílios

O governo estadual retomou, este ano, a oferta do vale-alimentação estudantil aos alunos da rede pública estadual, no valor de R$ 55. Além disso, inaugurou dois novos programas para 2021. Um deles é um auxílio de R$ 150 a famílias de estudantes em condição de vulnerabilidade socioeconômica. E a maior novidade: o Mais Estudo, que seleciona dois alunos por turma, a partir das suas notas, para serem monitores, com uma bolsa mensal de R$100.

As inscrições para as monitorias ainda não começaram, mas a professora Patrícia Cintra, de 50 anos, do Colégio Estadual Raphael Serravalle, na Pituba, mencionou que os alunos do colégio que ela leciona já foram selecionados pelos professores e estão “entusiasmados”. “Vai ter um impacto positivo por você se sentir mais motivado porque está recebendo algo em contrapartida: o reconhecimento da sua nota, do seu desempenho na escola”, avaliou.

Dificuldades

Integrantes do corpo docente da rede pontuam dificuldades na adaptação ao novo funcionamento do ensino. “Disseram que está muito difícil, muitas tarefas a cumprir. Alguns alunos não têm internet, não têm WhatsApp”, relatou a ex-professora aposentada de uma escola estadual de Feira de Santana, Alaíde Carneiro, de 65 anos, a partir de conversas com suas colegas ainda na ativa.

“Eu tenho colegas que estão passando por muitas dificuldades de acesso ao sistema. Isso traz um desgaste muito grande”, afirmou Patrícia. A situação já era imaginada pelo secretário. “A dificuldade é para o professor, que não teve formação nas plataformas de conteúdo”, falou à Metrópole.

Com a mudança, os alunos e as famílias também tiveram que se reajustar. “Muita gente sequer tem um celular, um computador, e acaba assistindo as aulas pela TV”, falou Maria. Para poder participar, algumas pessoas tiveram que buscar alternativas. “Eu tenho uma amiga mesmo, que ela não tem internet em casa, vai na casa da tia todo dia de manhã pra conseguir assistir as aulas”, comentou.

Marina Arguelles, de 35 anos, mãe de Sansão Abraão Arguelles, de 11, matriculado no Colégio Municipal Oswaldo Cruz, no Rio Vermelho, conta que consegue criar um ambiente de estudo para ajudar o filho, mas reconhece que essa não é a situação geral. “Eu sei que nem todos os colegas dele têm a mesma possibilidade. Por exemplo, a gente tem uma impressora e eu tenho uma cadeira emprestada do meu trabalho, que eu empresto para ele utilizar e eu trabalho com meu notebook no colo para poder emprestar minha mesa para ele”, disse.

“Essas dificuldades estão sendo, o tempo inteiro, sinalizadas e a secretaria está tentando se readaptar a isso, mas ainda está a passos lentos. Então a garantia de que um ano será recuperado… não sei te dizer, nesse tempo”, analisou Patrícia. (Fonte: Metro 1)