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Sem provas, Bolsonaro diz que indígenas e caboclos causam ‘parte considerável’ do desmatamento
Em transmissão ao vivo nas redes sociais, ontem (17), o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) atribuiu “parte considerável” das queimadas e áreas desmatadas na Amazônia Legal a “indígenas e caboclos”, alegando que estas pessoas não poderão mais comer se abandonarem completamente estas práticas. Ele, no entanto, não apresentou provas que sustentem essa afirmação.
O ministro de Ciência, Tecnologia e Inovação, Marcos Pontes, afirmou ontem que a exoneração da coordenadora-geral de Observação da Terra do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Lubia Vinhas, departamento reponsável pelos sistemas que acompanham o desmatamento na Amazônia e no Cerrado, não tem relação com o aumento dos alertas de desmatamento na Amazônia Legal.
A Justiça Federal do Amazonas deu, nesta sexta-feira (24), um prazo de 72 horas para que o Ibama, o Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICMBio) e a Funai apresentem respostas sobre alta recorde de desmatamento na região amazônica neste ano, enquanto o número de fiscalizações e autuações caíram em relação a anos anteriores. A União também é alvo da ação.
O presidente do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Eduardo Fortunato Bim, não respeitou dois pareceres da área técnica do órgão e liberou o desmatamento de uma área da Mata Atlântica no Paraná. As informações constam em documentos obtidos pelo jornal O Globo.
O desmatamento do Cerrado no período de agosto de 2018 a julho de 2019 ficou 2,26% menos, na comparação com o ano de 2018, mas aumentou 15% em unidades de conservação.
O desmatamento da Amazônia brasileira saltou para o maior nível para o mês de novembro desde o início dos registros em 2015, de acordo com dados preliminares divulgados nesta sexta-feira, 13, pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
Área sob alerta de desmatamento na Amazônia no mês de novembro aumenta 103,7%, aponta Inpe
Em novembro, a extensão de área sob alertas de desmatamento na Amazônia bateu recorde: foram 563,03 km³ entre o dia 1º e 30. Em comparação com o mesmo mês de 2018, o aumento foi de 103,7%.
Os territórios indígenas tiveram uma perda de 423,3 km² de floresta para o desmatamento entre agosto de 2018 e julho de 2019, segundo dados do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes), programa coordenado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), e obtidos pelo UOL.
Após aumento de 30% no desmatamento, Salles anuncia intenção de reduzir desmate ilegal na Amazônia
O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, anunciou nesta quarta-feira (20) a intenção de reduzir o desmate ilegal e o desmatamento total até 2020. Não foram divulgadas metas para a diminuição progressiva, nem um prazo final para a queda dos crimes ambientais.
No período de um ano, uma área de 9.762 km² da Amazônia Legal foi desmatada. A taxa representa uma alta de 29,5% ocorrida entre 1º de agosto de 2018 e 31 de julho deste ano na comparação com a mesma época dos doze meses anteriores. Esta é a taxa mais alta desde 2008 e equivale a cerca de 1,4 milhão de estádios de futebol. Entre agosto de 2017 e julho de 2018, o corte da floresta havia ficado em 7.536 km².
