Atleta brasileiro reage a assalto e se machuca na preparação olímpica

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Augusto Dutra já tem índice olímpico para Tóquio-2020 Foto: Divulgação CBAt

Augusto chegou a sair do carro e correr atrás do assaltante. Ele contou que outros meninos na rua entravam na sua frente para atrapalhá-lo e que o assaltante conseguiu se esconder em um beco escuro.

— Um lugar esquisitíssimo, sujo, escuro. Daí fui embora. Na hora não pensei, foi no reflexo. Me transformei, sabe? Fiquei cego. Me arrependo pela parte esportiva porque me prejudiquei. Mas faria de novo. O cara não estava armado e eu deveria ter saído do carro antes para pegá-lo na corrida.

Seu treinador, Henrique Martins, contou que Augusto continuou a treinar porque eles acharam que se tratava apenas de uma lesão. Nem mesmo o primeiro exame de ultrassom havia apontado a ruptura total do tendão.

— Foi apenas no segundo ultrassom que a lesão apareceu e ele fez a cirurgia, de junção do tendão ao osso, às pressas, entre o Natal e o Ano Novo — explica o treinador. — O dedo influencia muito por causa da pegada na vara mas ele acabou de tirar os pontos e já treina, no Clube Pinheiros, a parte inferior e abdome. Mas, infelizmente, tivemos de abdicar da temporada indoor. Sua participação no Mundial de Nanjing não está cancelada mas ele não deve ir. Vai depender da sua recuperação e segurança na vara boa.

A perspectiva, segundo Henrique, é que Augusto comece a segurar na vara no final do mês, início de fevereiro, quando completarão seis semanas de descanso.

RAIVA
Augusto passou o final do ano sozinho, em São Paulo, já que não podia dirigir para Marília, no interior, onde mora a família. Contou que nesse período fez um balanço do ocorrido, após melhor ano da carreira, e que o episódio lhe deu mais combustível para 2020.

— Fiquei com tanta raiva e, para mim, a raiva é combustível. Já tinha ficado uma semana em casa doente, com dor de garganta, antes do assalto e da cirurgia, sem poder treinar. Tivemos de mudar todo o planejamento e agora só penso na recuperação do dedo — fala Augusto, que não passou da primeira fase na Rio-2016.

No ano passado, ele saltou seis vezes acima de 5,70m, foi prata no Meeting de Paris (com 5,80m, melhor resultado pessoal do ano), etapa da Liga Diamante, prata no Jogos Pan-americanos de Lima (5,71m; Thiago Braz, o melhor brasileiro na prova, em 5.ºno ranking mundial, foi o quarto), vice-campeão mundial militar (5,50m; última competição do ano, em novembro), campeão brasileiro (5,60m) e sul-americano (5,71m) e décimo no Mundial de Doha (5,55m).

O brasileiro comentou que já saltou 5,90 e 6,00 (uma vez) em treinamento e avalia que para entrar no pódio em Tóquio-2020 deverá saltar no mínimo 5,95m.

— O ano 2020 é meu ano do tudo ou nada. E vimos que tudo é possível. Thiago Braz mostrou que é possível (o brasileiro ganhou o ouro na Rio-2016, com 6,03m, surpreendendo o favorito Renaud Lavillenie, campeão olímpico e recordista mundial da modalidade, com 6,16 m).

(iBahia)

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