11 de dezembro, 20 anos da explosão da fábrica de fogos em SAJ; mães de vítimas cobram justiça

Helena e Dolores – Foto: Hélio Alves/ Tribuna do Recôncavo

Nesta terça-feira, 11 de dezembro, completam 20 anos da explosão da fábrica de fogos em Santo Antônio de Jesus, no Recôncavo baiano, a qual deixou 64 mortos. Para marcar a data várias atividades vêm sendo realizadas pelo Movimento 11 de dezembro. Na manhã de domingo, dia 9, psicólogos da UFRB e as equipe da Clínica CTO, Clidonto, CRAS Quilombola, Cetep Recôncavo, entre outras, realizaram atendimentos no Bairro Irmã Dulce.

Na segunda-feira (10) foi realizado na sede do movimento um café comunitário com os familiares das vítimas, sobreviventes, comunidade e parceiros, em seguida houve troca de experiências com testemunhos, e caminhada até a entrada do Bairro Irmã Dulce, onde aconteceu um ato público.

Nesta terça-feira (11), o Movimento 11 de Dezembro está em Salvador realizando protestos no Tribunal de Justiça e Ministério Público, com o objetivo de cobrar desses órgãos o cumprimento da justiça, já que no dia 28 de outubro de 2018 a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) negou um recurso pedido pelos advogados da Família Bastos (proprietários da fábrica). “A negação desse recurso caberia o cumprimento da pena, mas até agora isso não aconteceu”, disse Manoel Missionário.

Uma advogada da Justiça Global chegou em Santo Antônio de Jesus nesta segunda-feira (10), e ficará na cidade até o final do mês ouvindo testemunhos dos sobreviventes e das famílias dos falecidos. Essas informações serão usadas no processo contra o Estado, Município e União.

TESTEMUNHOS

Para Maria Dolores que perdeu sua única filha na explosão, na época com 14 anos de idade, cada ano que se passa se torna mais triste para as famílias, “porque 20 anos não é 20 dias, é a mesma coisa que tivesse acontecendo agora”. Dolores concluiu cobrando justiça, pois os donos da fábrica foram condenados e até agora não foram presos e nem cumpriram o acordo para pagar as parcelas da indenização.

Já Maria Madalena, conhecida como Helena, que perdeu 3 filhas na explosão, contou que está sentido nesse ano mais dores do que no ano da explosão, em 1998, “porque naquela época a gente estava correndo atrás pra dar socorro, e agora a gente está correndo atrás de justiça”. Helena concluiu ressaltando que o Movimento 11 de Dezembro sempre lutou e vai continuar lutando por justiça. “Nós estamos clamando por justiça, não é por dinheiro, porque o povo tá dizendo que a gente quer fica rico com o dinheiro de Vardo, estamos atrás de justiça, para não ficar impune e não se esquecer do que aconteceu”, disse.

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