Em 2025, completa-se 27 anos da maior tragédia já registrada em Santo Antônio de Jesus, no Recôncavo da Bahia: a explosão de uma fábrica clandestina de fogos de artifício, em 1998, que deixou dezenas de mortos e feridos. Mesmo após quase três décadas e diversas ações judiciais, a produção irregular ainda resiste — e segue provocando riscos.
No mês passado, uma nova operação policial apreendeu quase 3 milhões de fogos irregulares e 61 quilos de bombas armazenadas a granel em sacos plásticos. Três locais clandestinos de fabricação foram interditados. A ação levou à prisão de um filho de Osvaldo Prazeres Bastos, o “Vardo dos Fogos” — apontado como um dos responsáveis pela explosão de 1998. Ele morreu em 2021, mas parte da família continua envolvida com a atividade. Outro filho já havia sido preso em 2023 e 2024. Em todos os casos, os suspeitos foram liberados após prestar depoimento.
Segundo o Ministério Público do Trabalho (MPT), Santo Antônio de Jesus ainda é um dos municípios com maior concentração de fábricas ilegais de fogos na Bahia, ao lado de Muniz Ferreira, Cruz das Almas e Serrinha. Atualmente, nenhuma empresa tem autorização para produzir fogos no estado. O mercado legal é abastecido por produtos vindos de Santo Antônio do Monte, em Minas Gerais.
“É uma questão histórica e cultural. Antigos produtores passam isso para os filhos e netos e, assim, a clandestinidade continua”, afirma o procurador do MPT Ilan Fonseca.
No caso de 1998, as investigações apontaram uma série de irregularidades: falta de segurança, ausência de extintores, uso de depósitos não autorizados, armazenamento inadequado e ausência de documentação sobre a origem dos produtos explosivos. Apesar da gravidade, ninguém foi preso. Cinco pessoas foram condenadas em 2010, mas responderam em liberdade.
O projeto Réu Brasil identificou que Osvaldo Bastos já havia sido condenado em 1996 por envolvimento em uma explosão durante a produção de fogos, mas continuou atuando no setor.


