Censo 2022: 3,8 milhões de brasileiros estudam fora do município de origem

Estudo do IBGE mostra que deslocamento para estudar está ligado à renda e ao nível de ensino

Foto: Divulgação

Cerca de 3,8 milhões de brasileiros precisaram se deslocar para outro município para estudar, e 75,3 mil buscaram instituições no exterior, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (9) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com base no Censo 2022.

O levantamento aponta que o fenômeno é mais frequente entre alunos do ensino superior (45%) e tem relação direta com o nível de renda familiar e de escolaridade. No total, 53,6 milhões de pessoas estavam matriculadas em instituições de ensino, sendo 92,7% delas na mesma cidade onde moravam.

Os dados revelam que quanto maior a renda, maior a mobilidade estudantil. Apenas 0,1% dos estudantes com renda de até ¼ de salário mínimo estudavam fora do município, enquanto entre aqueles com renda acima de dois salários mínimos, o percentual ultrapassava 14%. A idade também influencia: até os 17 anos, menos de 5% estudavam fora; entre 18 e 24 anos, o número sobe para 20,1%.

O deslocamento cresce conforme o nível de ensino: menos de 10% dos alunos do ensino básico estudavam fora do município, contra 27,3% no ensino superior e 31,8% na pós-graduação. Casos como o de Vinícius de Albuquerque, de São João de Meriti (RJ), mostram os desafios enfrentados: ele abandonou o curso de História na UFF devido ao alto custo do transporte e da permanência.

Embora o percentual nacional de estudantes fora do município tenha se mantido em 7,3% entre 2010 e 2022, o número cresceu em todos os estados do Nordeste, enquanto diminuiu no Sudeste, Sul e Distrito Federal. A Região Norte apresentou o menor índice, com apenas 4% dos estudantes deslocando-se para estudar.

google news
senac