Um grupo de pesquisadoras e gestores públicos brasileiros articula uma proposta inédita a ser apresentada à Organização Mundial da Saúde (OMS): incluir o feminicídio na Classificação Internacional de Doenças (CID), sistema adotado mundialmente para registrar causas de adoecimento e morte. A iniciativa conta com apoio do Ministério da Saúde e pretende retirar o crime da invisibilidade estatística dentro da área da saúde pública.
Atualmente, mortes de mulheres motivadas por razões de gênero são registradas na CID como “homicídio”, “agressão” ou “causa externa”, sem distinção específica para feminicídio. Para os idealizadores, essa lacuna dificulta a construção de políticas estruturadas de vigilância, prevenção e resposta nos moldes do que já ocorre com outras emergências sanitárias monitoradas internacionalmente.
Dados reforçam urgência
Em 2025, o Brasil registrou ao menos 1.470 feminicídios, o maior número desde que o crime foi tipificado, em 2015, segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Desde a criação da lei, 13.448 mulheres foram vítimas no país.
Na Bahia, entre janeiro e outubro de 2025, foram contabilizadas 208 tentativas de feminicídio, colocando o estado na liderança do Nordeste em números absolutos. No ranking nacional de tentativas, a Bahia aparece em segundo lugar, atrás apenas de São Paulo, que registrou 552 ocorrências no mesmo período.



