O Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos divulgou, na terça-feira (3), o laudo preliminar das primeiras análises sobre os resíduos coloridos encontrados na areia da Praia de São Tomé de Paripe. O estudo identificou altas concentrações de nitrato (NO₃) e cobre (Cu), substâncias que não possuem características naturais para o ecossistema da região.
Por causa da contaminação, o trecho da orla foi interditado pelo órgão ambiental. Os materiais começaram a ser observados por moradores e trabalhadores da área nas últimas semanas. Segundo o relatório, as substâncias aparecem principalmente quando a areia é revolvida, indicando possível infiltração no solo.
Impactos ambientais e sociais
De acordo com o biólogo e pesquisador da Universidade Federal da Bahia, José Amorim, a situação apresenta consequências graves tanto para o meio ambiente quanto para a comunidade local.
Segundo ele, já foram registrados casos de mortandade de mariscos, peixes e outros invertebrados marinhos. Além disso, há sinais de contaminação na área entre marés, com poças de água apresentando coloração alterada.
O especialista explicou que o nitrato é considerado menos tóxico, mas o cobre pode provocar distúrbios metabólicos em peixes e outros organismos aquáticos, afetando diretamente a fauna marinha.
Riscos para a população
Além do impacto ambiental, o pesquisador alertou para possíveis riscos à saúde da população. O contato direto com o material contaminado pode provocar irritações na pele e permitir a absorção de substâncias químicas pelo organismo.
Também existe risco indireto, relacionado ao consumo de peixes e mariscos que possam ter acumulado essas substâncias no corpo, o que pode provocar contaminação alimentar.
Outro problema apontado é o impacto socioeconômico. Muitas famílias da região dependem da pesca e da coleta de mariscos para subsistência e comércio. Com a interdição da praia, essas atividades ficam temporariamente suspensas.
Suspeita sobre terminal portuário
Moradores da região apontam a empresa Intermarítima, responsável pela operação de um terminal de granéis sólidos desde 2022, como possível origem da contaminação.
A companhia nega qualquer responsabilidade e afirma possuir certificações ambientais, além de destacar que sua licença não autoriza a movimentação de substâncias como enxofre, amônia ou cobre.
Segundo a empresa, o terminal trabalha principalmente com fertilizantes como cloreto de potássio, ureia e rocha fosfática, armazenados preferencialmente em áreas confinadas.
Apesar da negativa, o Inema informou que as concentrações das substâncias foram identificadas justamente nas proximidades da área de operação do terminal, o que mantém a empresa no centro das investigações.


