Motoristas por app protestam em Salvador contra projeto de regulamentação

Categoria realizou ato no CAB e seguiu em direção à Avenida Paralela em meio a críticas sobre impacto na renda e autonomia

Motoristas de aplicativos realizaram um protesto nesta terça-feira em Salvador contra o projeto de lei que propõe a regulamentação da atividade no país. A mobilização começou no Centro Administrativo da Bahia (CAB) e seguiu em direção à Avenida Paralela, uma das principais vias da capital.

Durante o ato, os trabalhadores ocuparam ruas próximas a prédios públicos, exibiram cartazes e promoveram buzinaços para chamar a atenção das autoridades. O movimento reflete uma insatisfação crescente da categoria em diversas cidades brasileiras.

Os profissionais afirmam que o projeto pode afetar diretamente a renda e a autonomia — pontos considerados fundamentais para quem depende do trabalho por aplicativo. Segundo eles, as mudanças propostas podem alterar a dinâmica atual da atividade, reduzindo a flexibilidade que atrai milhares de motoristas.

A proposta estava prevista para ser analisada nesta terça-feira por uma comissão especial da Câmara dos Deputados. No entanto, um pedido de adiamento foi encaminhado ao presidente da Casa, Hugo Motta, o que contribuiu para intensificar as manifestações pelo país.

Transporte por aplicativo e desafios urbanos

Nos últimos anos, os serviços de transporte por aplicativo se consolidaram como alternativa importante de mobilidade em Salvador. Plataformas como Uber, 99 e InDrive passaram a fazer parte do cotidiano da população, especialmente diante das limitações do transporte público.

Apesar da expansão, o crescimento do setor também evidenciou problemas estruturais. A falta de locais adequados para embarque e desembarque, por exemplo, é um desafio frequente em áreas de grande circulação.

Outro ponto crítico é a segurança. Em bairros como Pau da Lima, motoristas relatam receio de assaltos e evitam determinadas regiões em horários específicos. A situação reflete a ausência de políticas públicas mais eficazes tanto na área de mobilidade quanto na segurança urbana.

Além disso, muitos trabalhadores enfrentam jornadas extensas e ganhos considerados baixos, sem garantias trabalhistas ou suporte suficiente das plataformas em situações de risco.

O cenário reforça o debate sobre a necessidade de regulamentação do setor, equilibrando direitos, segurança e condições de trabalho, sem comprometer a flexibilidade que caracteriza esse tipo de serviço.

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