Em julgamento pela morte de Mãe Bernadete, réu muda versão e diz ter sido torturado por policiais

Acusado afirma que confessou sob pressão e nega mandante do crime; acusação aponta estratégia da defesa

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O réu confesso Arielson da Conceição dos Santos afirmou, durante julgamento, que foi torturado por policiais e que mudou sua versão sobre quem teria mandado matar a líder quilombola Mãe Bernadete.

A declaração foi feita nesta semana, durante interrogatório no plenário do Fórum Ruy Barbosa, em Salvador, no primeiro dia de julgamento dos acusados pelo crime ocorrido em agosto de 2023.

Segundo Arielson, conhecido como “Buzuim”, ele teria sido forçado a apontar Marílio dos Santos como mandante. “Disse o que eles queriam ouvir”, declarou diante do júri.

Para a acusação, a mudança de depoimento não passa de uma tentativa de proteger o suposto mentor do crime. O advogado da família da vítima, Hédio Silva, classificou a nova versão como “conveniente” e disse acreditar na condenação dos envolvidos.

Já o promotor Raimundo Moinhos, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público da Bahia, afirmou que não há qualquer indício de tortura ao longo da investigação.

Segundo ele, desde a fase de inquérito até a produção de provas, não surgiram evidências de que o acusado tenha sido coagido. Para o promotor, a alegação faz parte de uma estratégia da defesa para tentar enfraquecer as provas apresentadas.

De acordo com o Ministério Público, Arielson e Marílio integrariam o grupo criminoso Bonde do Maluco (BDM), sendo Marílio apontado como líder.

Durante o julgamento, o réu também afirmou que a intenção inicial seria apenas “dar um susto” na vítima. No entanto, Mãe Bernadete foi morta com diversos disparos — 25 tiros, conforme a denúncia.

Ele ainda atribuiu a maior parte dos disparos a um outro suspeito, conhecido como “BZ”, que será julgado separadamente.

O caso segue em julgamento e deve ter novos desdobramentos nos próximos dias.

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