Taxa das blusinhas faz arrecadação disparar e governo já debate possível fim do imposto

Cobrança sobre compras internacionais bate recorde em 2026, enquanto integrantes do governo discutem rever a medida após pressão de consumidores e setores econômicos

Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

A arrecadação do governo federal com o imposto sobre compras internacionais voltou a crescer em 2026 e já atingiu um novo recorde. Dados divulgados pela Receita Federal mostram que, entre janeiro e abril deste ano, foram arrecadados R$ 1,78 bilhão com a taxação de encomendas vindas do exterior.

O valor representa um aumento de 25% em comparação com o mesmo período de 2025, quando a arrecadação ficou em R$ 1,43 bilhão. O resultado reforça o impacto da chamada “taxa das blusinhas”, criada para tributar compras internacionais de baixo valor feitas em plataformas digitais.

A cobrança entrou em vigor em agosto de 2024, após aprovação do Congresso Nacional. Desde então, compras de até US$ 50 passaram a ter imposto de importação de 20% para empresas cadastradas no programa Remessa Conforme, que antes contavam com isenção.

Além disso, estados brasileiros também aumentaram a cobrança de ICMS sobre esses produtos, elevando a tributação em parte do país para 20%.

📦 A medida surgiu após pressão de setores da indústria nacional, que alegavam concorrência desigual entre empresas brasileiras e plataformas estrangeiras, especialmente após o crescimento das compras online durante a pandemia.

Apesar de ter sancionado a proposta, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já chegou a classificar a medida como “irracional”. Agora, o tema voltou a ganhar força dentro do governo.

Nos últimos dias, o ministro da Fazenda em exercício, Dario Durigan, afirmou que existe discussão interna sobre uma possível revisão ou até o fim da taxa. Segundo ele, o debate está sendo feito sem “tabus”, mas com atenção aos impactos fiscais e ao programa Remessa Conforme.

A taxação segue dividindo opiniões. Consumidores reclamam do aumento nos preços de produtos populares vendidos por plataformas internacionais, reduzindo a vantagem das compras online no exterior. Críticos também apontam diferença no tratamento dado a turistas que fazem compras fora do país e não pagam o mesmo tributo.

Por outro lado, representantes da indústria, comércio e varejo defendem a manutenção da cobrança. Segundo entidades do setor produtivo, a medida ajudou a reduzir desigualdades tributárias e incentivou empregos na indústria nacional.

O imposto também ganhou importância para as contas públicas. Somente em 2025, a arrecadação com as compras internacionais somou R$ 5 bilhões, outro recorde histórico.

Agora, os recursos ajudam o governo federal na tentativa de alcançar a meta fiscal de 2026, que prevê superávit equivalente a 0,25% do PIB, cerca de R$ 34 bilhões.

Mesmo assim, projeções oficiais ainda indicam possibilidade de déficit nas contas públicas ao longo do terceiro mandato do presidente Lula.

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