Uma das manifestações mais tradicionais do São João baiano pode viver um momento histórico em 2026. Após anos de proibição e debates judiciais, a Guerra de Espadas caminha para ser realizada de forma legalizada pela primeira vez em Senhor do Bonfim, com a utilização de artefatos certificados e em um espaço específico destinado à prática.
O avanço é resultado de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado no final do ano passado entre a Associação dos Espadeiros de Senhor do Bonfim (Acesb), o Ministério Público da Bahia e diversos órgãos públicos.
Produção certificada é uma das exigências
Entre as medidas previstas está a fabricação de espadas dentro das normas legais. Para isso, a Acesb buscou parceria com uma empresa regularizada de Minas Gerais para desenvolver artefatos certificados.
Segundo a associação, um protótipo já foi testado e aguarda aprovação dos órgãos responsáveis. A expectativa é que os equipamentos estejam disponíveis para utilização ainda neste período junino.
Tradição foi proibida em todo o estado
A Guerra de Espadas é uma tradição ligada à véspera de São João, celebrada em diversas cidades baianas há gerações. No entanto, a prática passou a ser considerada ilegal após decisões judiciais fundamentadas na Lei do Desarmamento.
A proibição começou em 2011, em Cruz das Almas, e foi ampliada para toda a Bahia em 2017 por decisão do Tribunal de Justiça da Bahia. Em 2019, o entendimento foi mantido pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Patrimônio cultural e símbolo da identidade local
Reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial de Senhor do Bonfim desde 2007, a manifestação recebeu novo impulso no último dia 2 de junho, quando vereadores aprovaram um projeto autorizando o município a oferecer apoio estrutural à tradição.
Presidente da Acesb, Alex Barbosa comemorou o avanço e ressaltou a importância cultural da Guerra de Espadas para a cidade.
“Essa manifestação cultural faz parte da nossa história, da nossa identidade e das raízes do nosso povo”, afirmou.
Espadódromo está em fase de análise
Uma das propostas em discussão é a criação de um espaço exclusivo para a realização da brincadeira, chamado de “Espadódromo”. O local avaliado fica no complexo esportivo da associação Adelba e já recebeu visita técnica de representantes do Ministério Público, forças de segurança e autoridades municipais.
Além da Acesb, o TAC conta com a participação das polícias Civil e Militar, Corpo de Bombeiros, CREA-BA, Samu e diversas secretarias municipais, que acompanham o processo de regulamentação. (Fonte: ATarde)
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