Um novo tratamento sem quimioterapia para câncer de mama apresentou resultados promissores em um estudo realizado nos Estados Unidos. Cerca de 93% das pacientes acompanhadas por aproximadamente três anos continuavam vivas.
A estratégia combina quatro medicamentos já utilizados no combate ao câncer. No entanto, os resultados valem para um tipo específico de câncer de mama metastático e ainda precisam de confirmação em estudos maiores. A pesquisa foi conduzida pela Icahn School of Medicine at Mount Sinai, nos Estados Unidos. Os pesquisadores divulgaram os resultados nesta quinta-feira (20).
O tratamento reúne anastrozol, palbociclibe, trastuzumabe e pertuzumabe. Dessa forma, a estratégia dispensa o uso da quimioterapia tradicional.
Estudo mostrou benefício clínico em 97% das pacientes
Na etapa de avaliação da eficácia, os pesquisadores analisaram 29 pacientes. Destas, 28 apresentaram benefício clínico nos primeiros seis meses de tratamento. O percentual equivale a cerca de 97% das participantes. Além disso, a mediana do período sem avanço da doença chegou a 24,9 meses. Em outras palavras, metade das pacientes permaneceu aproximadamente dois anos ou mais sem progressão do câncer. A oncologista Amy Tiersten, autora sênior da pesquisa, afirmou que a estratégia pode produzir respostas duradouras em algumas pacientes. Segundo a pesquisadora, os médicos conseguiram controlar os efeitos adversos durante o estudo.
93% das pacientes continuavam vivas
Na análise de sobrevida, os pesquisadores acompanharam as pacientes por uma mediana de aproximadamente 39 meses. Ao final desse período, cerca de 93% das participantes continuavam vivas. A mediana de sobrevida global ainda não havia sido alcançada. Isso aconteceu porque a maioria das pacientes seguia viva quando os pesquisadores analisaram os dados. No entanto, o resultado se aplica especificamente a mulheres com câncer de mama metastático positivo para receptores hormonais e HER2. Esse subtipo é classificado como HR+ e HER2+.
Estratégia busca evitar a quimioterapia tradicional
Atualmente, pacientes com esse tipo de câncer metastático podem receber medicamentos direcionados ao HER2 combinados com quimioterapia como tratamento inicial. A nova estratégia tenta atingir diferentes mecanismos usados pelas células tumorais para crescer. Enquanto parte do tratamento interfere nos hormônios que podem estimular o tumor, outros medicamentos bloqueiam proteínas ligadas à multiplicação das células. Além disso, alguns dos remédios atuam diretamente sobre o HER2. Dessa forma, os pesquisadores buscam controlar a doença sem recorrer à quimioterapia convencional.
Uma paciente segue em tratamento há mais de seis anos
O estudo também registrou respostas prolongadas entre algumas participantes. Uma das pacientes continua utilizando a combinação dos quatro medicamentos há mais de seis anos. Por outro lado, o tratamento apresentou efeitos adversos que exigem acompanhamento médico. Entre os problemas mais frequentes estiveram a queda de neutrófilos e de glóbulos brancos, além de diarreia e anemia. Eventos considerados graves, de grau 3 ou 4, ocorreram em cerca de 62% das participantes. As alterações no sangue representaram a maioria desses casos. Apesar disso, apenas uma paciente precisou interromper o tratamento por causa dos efeitos colaterais. Além disso, o estudo não registrou mortes relacionadas aos medicamentos.
Resultados ainda precisam de novos estudos
Apesar dos números animadores, os pesquisadores destacam que o estudo ainda não prova que a nova estratégia é superior aos tratamentos atuais. O levantamento envolveu apenas 29 pacientes e não contou com um grupo que recebesse a terapia padrão para comparação direta. Por isso, os próximos estudos deverão incluir um número maior de participantes. Os pesquisadores também pretendem realizar testes randomizados. Dessa forma, poderão avaliar com mais precisão a eficácia e a segurança da estratégia. O objetivo será verificar se o tratamento sem quimioterapia para câncer de mama mantém os resultados positivos em grupos maiores. Além disso, os estudos futuros poderão comparar diretamente essa combinação com as opções disponíveis atualmente.
Por fim, os resultados representam um avanço importante na busca por tratamentos mais personalizados. No entanto, pacientes não devem alterar ou interromper terapias sem orientação de uma equipe médica especializada.
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