Os candidatos à Presidência Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) colocaram a segurança pública no centro da campanha eleitoral neste sábado (22). Os dois participaram de atos no Rio de Janeiro e apresentaram estratégias diferentes para combater o crime organizado. Lula participou de um comício no estádio Moça Bonita, em Bangu, na Zona Oeste da capital fluminense. Já Flávio esteve no Maracanãzinho, durante o lançamento da candidatura de Douglas Ruas ao governo do Rio de Janeiro.
Lula promete recuperar territórios dominados pelo crime
Durante o discurso, Lula afirmou que pretende ampliar a presença do governo federal no combate às organizações criminosas. O petista prometeu recuperar áreas dominadas por facções e devolver esses territórios à população. Além disso, defendeu uma atuação baseada em prisões, investigação e inteligência policial. “Não vamos fazer carnaval, pirotecnia, matar 100 ou 200. Nós vamos prender”, afirmou. Segundo Lula, comunidades, escolas, estabelecimentos comerciais e espaços públicos precisam permanecer sob o controle da população e do Estado.
O candidato também citou a proposta que amplia a participação da União na segurança pública. Além disso, afirmou que pretende recriar o Ministério da Segurança Pública caso avance a articulação necessária no Congresso.
Lula também defendeu o fortalecimento da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal.
Lula fala sobre custos do sistema penitenciário. Durante o evento, Lula também comentou os custos do sistema prisional brasileiro. Segundo o candidato, manter presos em unidades de segurança máxima representa um custo elevado para o poder público. Ele usou o tema para defender mudanças na estratégia de combate à criminalidade. Lula citou o traficante Luiz Fernando da Costa, conhecido como Fernandinho Beira-Mar, ao comparar gastos do sistema penitenciário com investimentos em educação.
Educação e tecnologia entram no discurso
Além da segurança pública, Lula apresentou propostas para outras áreas. Na educação, prometeu ampliar o ensino em tempo integral nas escolas públicas e continuar a expansão dos institutos federais. O petista também citou programas como Prouni e Fies e defendeu mais oportunidades para estudantes de baixa renda. Além disso, Lula falou sobre indústria, ciência e tecnologia. Ele prometeu ampliar investimentos em inteligência artificial e defendeu o desenvolvimento de tecnologias adaptadas ao português e às necessidades brasileiras.
Flávio Bolsonaro promete endurecer combate às facções
Enquanto Lula defendia maior participação federal, Flávio Bolsonaro apresentou uma plataforma de endurecimento do combate ao crime organizado. No Maracanãzinho, o candidato do PL afirmou que não pretende “baixar a cabeça para bandido”. Flávio também defendeu que organizações criminosas, como Comando Vermelho e PCC, sejam enquadradas como grupos narcoterroristas. “Vocês têm até dezembro deste ano para meter o pé do Brasil”, afirmou ao dirigir seu discurso aos integrantes das facções. Segundo o candidato, um eventual governo comandado por ele adotaria uma política de enfrentamento mais rígida a partir de janeiro.
Flávio critica uso de drones por criminosos
Outro ponto abordado por Flávio Bolsonaro foi o uso de drones por organizações criminosas. O candidato afirmou que crianças estariam sendo treinadas para operar equipamentos com explosivos. “Eu soltava pipa quando criança. Hoje estão sendo criadas e treinadas para usar drones com bomba”, declarou. Segundo Flávio, o avanço tecnológico das organizações criminosas exige uma resposta mais forte das forças de segurança.
Candidato defende mudanças na legislação penal
Flávio Bolsonaro também apresentou propostas relacionadas à legislação penal. O candidato afirmou que pretende reduzir para 14 anos a maioridade penal em determinados crimes graves, como estupro. Além disso, defendeu a castração química para estupradores e abusadores de mulheres e crianças. “As mulheres serão protegidas. Nós vamos aprovar a castração química para estupradores e abusadores de mulheres e crianças”, declarou.
Anistia aos condenados pelo 8 de Janeiro
Durante o ato, Flávio também pediu votos para candidatos aliados ao Senado. Segundo ele, uma bancada favorável no Congresso seria importante para aprovar propostas defendidas por seu grupo político. Entre os temas mencionados está a anistia aos condenados pelos atos de 8 de Janeiro.
Zema defende nova reforma da Previdência
Enquanto Lula e Flávio realizavam atos no Rio, outros candidatos à Presidência também cumpriram agendas neste sábado. Romeu Zema (Novo) defendeu uma nova reforma da Previdência. Segundo ele, poderá ser necessário aumentar o tempo de contribuição de quem está entrando agora no mercado de trabalho. Zema argumentou que o aumento da expectativa de vida exige planejamento de longo prazo para o sistema previdenciário.
Caiado passa a defender fim da escala 6×1
Em Campinas, Ronaldo Caiado (PSD) afirmou que é favorável ao fim da escala de trabalho 6×1. A declaração representa uma mudança em relação ao posicionamento apresentado pelo candidato dias antes. Na ocasião anterior, Caiado havia classificado a discussão sobre o fim da escala como eleitoreira. Sobre segurança pública, ele também defendeu maior rigor contra as facções criminosas.
Renan Santos aposta no discurso de segurança
Renan Santos (Missão) também iniciou a agenda deste sábado com foco em segurança pública. O candidato apareceu em um evento usando colete à prova de balas e defendeu uma postura de enfrentamento ao que classificou como “inimigos da nação”. Durante o discurso, Renan também criticou Lula e Flávio Bolsonaro. Segundo ele, o país não pode ficar refém da polarização entre os dois candidatos.
Augusto Cury critica polarização política
Já Augusto Cury (Avante) concentrou parte do discurso nas críticas à polarização. O candidato afirmou que apoiadores que ignoram erros de seus políticos acabam prejudicando o debate público. Cury também defendeu o fim do que classificou como uma “torcida” na política brasileira.
Segurança pública ganha espaço na eleição presidencial
Dessa forma, a segurança pública ganha cada vez mais espaço na disputa presidencial de 2026. Lula aposta no aumento da participação da União, no fortalecimento da inteligência policial e na retomada de territórios dominados pelas facções. Flávio Bolsonaro, por outro lado, defende endurecimento das leis e uma política mais rígida de enfrentamento às organizações criminosas. Enquanto isso, os demais candidatos buscam apresentar propostas próprias e ampliar espaço na corrida pelo Palácio do Planalto.
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