Brasil inicia preparação para testar em humanos primeira vacina nacional contra Covid-19 com tecnologia de mRNA

Imunizante desenvolvido pela Fiocruz e pelo Bio-Manguinhos recebeu autorização da Anvisa para avançar à fase clínica, prevista para o primeiro trimestre de 2027

Foto: Lucas Moura/ Secom PMS

O Brasil está prestes a iniciar os testes em humanos da primeira vacina contra a Covid-19 desenvolvida integralmente no país com tecnologia de RNA mensageiro (mRNA). O anúncio foi feito pelo Ministério da Saúde nesta quarta-feira (2), segundo informações da CNN.

Desenvolvida pela Fiocruz e pelo Bio-Manguinhos, a vacina utiliza uma tecnologia que leva às células uma espécie de instrução temporária para a produção de uma proteína específica. Essa proteína não provoca a doença, mas ajuda o organismo a reconhecer o coronavírus e preparar uma resposta do sistema imunológico.

A plataforma de mRNA também pode ser adaptada para diferentes vírus e doenças, permitindo o desenvolvimento de outros imunizantes a partir da mesma tecnologia.

Testes em humanos começam em 2027

O imunizante já passou pelos estudos pré-clínicos, etapa realizada antes dos testes em pessoas. Nessa fase, os pesquisadores avaliaram a capacidade da vacina de gerar proteção contra a Covid-19.

Com a autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o projeto avançará para a fase clínica, prevista para o primeiro trimestre de 2027.

Inicialmente, os voluntários receberão o imunizante para que os pesquisadores avaliem principalmente a segurança e a capacidade de provocar uma resposta imunológica. Os participantes serão acompanhados durante um ano.

A proposta é estudar a vacina como dose de reforço contra a Covid-19, e os resultados obtidos nessa etapa serão utilizados para orientar as fases seguintes do desenvolvimento.

Governo investe em pesquisas com mRNA

O governo federal também destinou aproximadamente R$ 210 milhões para projetos envolvendo vacinas de RNA mensageiro.

Fiocruz, Instituto Butantan e Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) desenvolvem pesquisas que estudam aplicações da tecnologia contra doenças como dengue, malária, tuberculose, leishmaniose e doença de Chagas, além de possíveis tratamentos contra o câncer.

A estratégia busca ampliar a capacidade brasileira de desenvolver e produzir tecnologias de saúde, reduzir a dependência de soluções estrangeiras e preparar o país para futuras emergências sanitárias.

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