Sérgio Ferreira de Jesus foi condenado a 23 anos de prisão nesta quarta-feira (21), em Salvador, por participação no assassinato da líder quilombola e ialorixá Mãe Bernadete. Ele é o quarto dos seis acusados a receber uma sentença pelo crime, ocorrido em agosto de 2023, no Quilombo Pitanga dos Palmares, em Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador (RMS).
De acordo com as investigações, Sérgio teria incentivado o homicídio após um desentendimento com a religiosa, indicado aos executores o caminho até a residência dela e recebido os celulares roubados da vítima e de familiares. Ele foi preso em setembro de 2023 e julgado no Fórum Ruy Barbosa, no bairro de Nazaré, em Salvador.
Como ocorreu o assassinato de Mãe Bernadete
Mãe Bernadete foi assassinada dentro de casa enquanto estava com três netos. Segundo as informações do caso, dois homens usando capacetes entraram no imóvel, retiraram os jovens da sala e dispararam 25 vezes contra a liderança quilombola.
A investigação policial apontou que o crime teria sido ordenado por um chefe do tráfico de drogas da região, em reação à oposição da ialorixá às atividades criminosas.
Além de Sérgio, outros três acusados já foram condenados. Marílio dos Santos, apontado como mandante do assassinato, recebeu pena de 29 anos e nove meses de prisão em abril de 2026. Dois dias depois, ele morreu durante uma troca de tiros com policiais militares em Catu.
Arielson da Conceição dos Santos, identificado como um dos executores, foi condenado a 40 anos, cinco meses e 22 dias de prisão. Já Josevan Dionísio dos Santos, conhecido como BZ ou Buzuim, recebeu pena de 28 anos em outubro deste ano.
Dois acusados ainda aguardam julgamento
Outros dois homens ainda aguardam julgamento pelo assassinato. Ydney Carlos dos Santos de Jesus, conhecido como Café, é suspeito de participar do planejamento do crime e apontado como uma das chefias do tráfico na região. Ele foi preso em julho de 2024, em Salvador.
Carlos Conceição Santiago é acusado de guardar as armas utilizadas no homicídio, ajudar Arielson e facilitar sua fuga. Até o momento, não há datas definidas para os julgamentos dos dois.
Família recebeu indenização após acordo
Em outra frente relacionada ao caso, familiares de Mãe Bernadete acionaram a União e o Governo da Bahia em 2025, alegando falhas na proteção da liderança quilombola e problemas posteriores ao assassinato.
A defesa solicitou R$ 11,8 milhões por danos morais para os três netos que estavam com a vítima no momento do crime e para a filha dela, mãe dos jovens.
Em fevereiro de 2026, a Procuradoria-Geral do Estado informou que os pagamentos da indenização haviam sido concluídos por meio de um acordo administrativo. Os valores, porém, não foram divulgados por serem confidenciais.
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