Entre as dificuldades em seu trabalho na 4ª Coorpin, delegado de S. A. de Jesus aponta: “Não tenho um auxiliar”

Foto: Voz da Bahia

Os recentes homicídios que aconteceram em Santo Antônio de Jesus chamaram muito a atenção da população. Crimes esses que ceifaram a vida de um menor de apenas 14 anos (veja aqui) e de uma jovem mãe que deixou uma criança de apenas nove meses, a vítima a senhora Elisiane Fonseca de Sousa (relembre aqui). Em entrevista à Voz da Bahia o Comandante do 4º BPM-SAJ (Batalhão da Polícia Militar em Santo Antônio de Jesus), Tenente-Coronel Jader Martins, explicou como aconteceu a dinâmica dos homicídios, (leia aqui), informando que os mesmos têm ligação com disputa entre facções. O  Voz da Bahia conversou na tarde desta quarta-feira (12), na live das 12h30 com o delegado da área de homicídios, Orlando Corsino que complementou as informações obtidas anteriormente pelo site sobre os casos e aproveitou para detalhar as dificuldades enfrentadas pela Polícia Civil na cidade, entre outros pontos.

Ligação entre homicídios: O Delegado informou que a Polícia esta empenhada em elucidar os crimes, além de informar que as delinquências têm ligação com o tráfico, “nós instauramos o inquérito policial, estamos fazendo o levantamento necessário para que a gente consiga entender o que aconteceu e conseguir atingir as pessoas que cometeram esse crime”, disse. Corsino informou que a invasão na Providência no domingo (09) seria uma retaliação pela morte do menor no sábado (08), “são duas situações que têm ligação uma com a outra. A primeira delas, a do menino que foi morto no sábado, o menino aparentemente, tinha de certa forma um envolvimento, essa pessoa estava no local do tiroteio, não foi bala perdida, e a retaliação a esse ocorrido um grupo se dirigiu a região da Providência para tentar matar os responsáveis pela morte do garoto”, esclareceu. Ele assegurou que a investigação está  caminhando, testemunhas estão sendo ouvidas, mas que não seria possível no momento dar mais detalhes sobre os inquéritos, “nós temos uma linha de investigação que no momento eu prefiro não revelar para não atrapalhar as investigações, mas sim, a gente tem a todo o momento apresentando testemunhas, no outro dia mesmo foram apresentadas mais duas pessoas, então a investigação estar prosseguindo”, assegurou. A polícia divulgou que um dos envolvidos nas situações citadas foi preso quando buscava atendimento no HRSAJ (Hospital Regional de Santo Antônio de Jesus), após uma verificação rotineira da polícia na unidade, “no domingo (10) quando a equipe foi ao Hospital, uma das visitas de praxes, porque a gente sempre procura ir ao Hospital ver o que está sendo acontecendo,  curiosamente havia um terceiro lá procurando um socorro porque estava com um ferimento no dedo, os investigadores identificaram e ai a pessoa realmente tinha um envolvimento”, contou o delegado. 

Combate ao tráfico de drogas: O tráfico de drogas tem se apresentado como um dos maiores motivadores de crimes no município, e segundo Corsino esse também tem sido um dos focos da Polícia. Ele também falou sobre a burocracia para que se efetue o combate ao informar que às vezes a Polícia tem conhecimento do ponto de tráfico, mas que há todo um procedimento legal que deve ser seguido, além de haver uma segurança na informação, “a gente tem conhecimento de vários pontos de trafico de drogas e o trafico de drogas vem sendo combatido sim, praticamente todos os dias são apresentadas pessoas por conta de trafico de drogas, mas pra você fechar um procedimento de forma legal não é assim você só saber, ouvir dizer, a gente precisa de um elemento mais forte para poder prender”, explicou a uma internauta. 

Dificuldades da Polícia Civil no município: As dificuldades de infraestrutura, de também foram citados pelo delegado durante a entrevista. O policial explicou que muitas vezes a Polícia Civil faz sua parte na investigação, mas que nem sempre há uma condenação dos acusados, além disso, Corsino contou que há o sistema brasileiro que muitas vezes vai de encontro ao trabalho Polícia Civil, “a atribuição da Civil é justamente investigar os crimes ocorridos, quando a gente investiga e prende alguém, essa pessoa vai parar na reiteração dos crimes, mas sobre tudo na questão de homicídios é muito difícil à gente concluir e chegar a uma condenação; a gente atua dentro da lei, nem mais, nem menos, se tiver fora da lei é proibido, então o que a gente tenta atuar é dentro da legalidade. Prender a gente prende, acontece que o sistema, dificulta a atuação das forças de segurança no Brasil, essa é a realidade”, explicou. 

Dr. Orlando também alegou como funciona a sua rotina frente à divisão de homicídios da cidade, ele disse que trabalha sem auxiliar, e não atende só casso de homicídios, mas também outras diversas situações, “a demanda é muito grande, e, sobretudo os crimes mais graves, pela quantidade de trabalho envolvido na investigação. Não tenho uma pessoa para me auxiliar na confecção das peças, então tudo tem que ser eu; aqui além dos homicídios, eu respondo pelas requisições do MP (Ministério Público), Disque Denúncia de maus tratos de animais, idosos, crianças, são requisições diversas. A demanda é muito grande, só até nós já tivemos sete mil ocorrências registradas no sistema, então não é tão simples quanto as pessoas imaginam”, concluiu o delegado. 

Reportagem: Voz da Bahia

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