A 14ª edição da Festa Literária Internacional de Cachoeira (Flica) começou na quinta-feira (5) e segue até domingo (8), movimentando a cidade de Cachoeira, no Recôncavo Baiano, com atividades literárias, apresentações culturais e debates sobre tecnologia e criatividade.
Com o tema “Como ser criativo com tanta IA por aí?”, o evento tem entrada gratuita e propõe reflexões sobre os impactos da inteligência artificial na produção artística, na literatura e nas relações digitais.
A abertura contou com debates na Tenda Paraguaçu, com a participação da pesquisadora Nina da Hora, da cantora Larissa Luz e do jornalista Walter Porto. Entre os assuntos discutidos estiveram autoria artística, presença digital e autocensura nas redes sociais.
Durante a programação, Larissa Luz destacou a importância de abordar o ambiente digital de forma educativa, especialmente para orientar os jovens sobre formas saudáveis de interação na internet.
Literatura baiana e valorização da cultura
A produção regional também ganhou espaço na Casa dos Autores e das Autoras Baianas. Segundo a curadora Divalna Melo, 20 escritores receberão apoio para o deslocamento até Cachoeira e terão estandes para comercializar suas obras. A programação também inclui seis editoras, ampliando a participação do mercado editorial baiano.
Outro destaque é a exposição “Conto dos Orixás”, do quadrinista e ilustrador soteropolitano Hugo Canuto. A obra aproxima a linguagem dos quadrinhos das narrativas ancestrais e da cultura afro-brasileira.
O artista destacou que o projeto busca ampliar a divulgação dessas histórias e contribuir para o enfrentamento ao racismo e à intolerância religiosa.
A programação contempla ainda crianças e jovens. A Fliquinha recebe atividades voltadas ao público infantil, incluindo a participação dos criadores de conteúdo Gabriel Dearo e Manu Digilio, conhecidos pelos vídeos e livros direcionados às crianças.
Já a Geração Flica promove discussões sobre comportamento, criatividade e novas gerações.
Atrações seguem até domingo
Neste sábado (7), a programação internacional terá a participação da escritora ruandesa Scholastique Mukasonga e da venezuelana María Elena Morán, em um painel sobre diásporas literárias. Também está previsto um debate sobre racismo algorítmico com Nilma Lino Gomes e Tarcízio Silva.
A feira reúne ainda atividades como a Remada Literária, no Rio Paraguaçu, batalhas de desenho, contações de histórias e apresentações musicais. Entre as atrações estão Jau, Sued Nunes, Mãeana e Skanibais, além do sarau do cordelista Jonas Samaúma.
O encerramento acontece no domingo (8), com o Cortejo Cultural da Esmola Cantada, pela manhã, no Instituto Dannemann, em São Félix. Ao meio-dia, o tradicional arrastão “Bye Bye Flica” segue em direção à Praça 25 de Junho, onde estão previstas apresentações de dança de rua, samba de roda e pagode.
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