Quem passou pelas feiras livres da Bahia nos últimos dias percebeu a diferença: a jaca, antes comum e facilmente encontrada até em quintais, está mais rara e muito mais cara. Em alguns pontos de venda, a unidade já custa até R$ 70.
O aumento vai além de uma simples variação de safra. Comerciantes relatam dificuldade real para encontrar o produto, reflexo da baixa oferta e da procura crescente.
A entressafra e fatores climáticos reduziram a produtividade das jaqueiras. Ao mesmo tempo, a fruta ganhou espaço na gastronomia, principalmente no preparo da chamada “carne de jaca”, utilizada como alternativa vegetal em restaurantes e na indústria de alimentos.
Com isso, parte da produção tem sido colhida ainda verde para atender essa demanda, diminuindo a quantidade disponível para consumo in natura.
Se antes era comum receber jaca de vizinhos ou encontrar frutos à beira de estrada, hoje a realidade é diferente. Com a escassez nas centrais de abastecimento, atravessadores passaram a buscar a fruta diretamente em propriedades privadas.
Produtores que não viam valor comercial na jaqueira agora negociam a produção doméstica por preços mais altos. O que era partilha virou fonte de renda.
Feirantes afirmam que precisam repassar o aumento para evitar prejuízo. Para o consumidor, resta esperar a próxima safra ou pagar mais caro para manter a fruta na mesa.
Tradicional e símbolo de fartura, a jaca vive um momento de valorização inédita na Bahia.





