Mercado em Salvador impede entrada de jovem por usar short curto: ‘Você é homem’

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Vídeo registrou momento | Foto: Montagem BN/ Paulo Victor Nadal/ Instagram

Um estudante de psicologia passou por situação de constrangimento e homofobia no último sábado (19), ao ser impedido de entrar no supermercado Walmart, bairro de Itapuã, em Salvador, porque estava usando um short curto. Em denúncia feita nas redes sociais, Marcos Pascoal contou que dois funcionários do estabelecimento tentaram barrá-lo com o argumento de que a roupa usada por ele não era para homens. O momento foi filmado e publicado nas redes sociais do estudante.

Em publicação em seu perfil no Instagram, Marcos contou que o caso ocorreu na noite de sábado. Ao tentar entrar no supermercado, um funcionário vestido com uniforme do Walmart apontou para o short e fez sinal negativo, apontando que não seria possível circular pelo local com a peça. O estudante relatou que, devido ao constrangimento, precisou abaixar a vestimenta duas vezes até ter a entrada autorizada.

“Mediante a vergonha da cena, abaixei o short duas vezes perguntando ao funcionário se com aquele tamanho eu poderia entrar. Ele fez sinais gestuais dizendo que não, abaixei mais um pouco, já humilhado naquela situação, e consegui entrar”, relatou na postagem.

Ao sair do estabelecimento, ele ajeitou o short novamente, sendo interpelado, desta vez, pelo segurança do mercado. Questionado sobre o porquê de não poder usar a roupa, o funcionário deu a seguinte resposta: “Até esse momento, o senhor é homem. O senhor tem que ajeitar o seu short. Homem tem que estar composto”.

O segurança pontuou também que diversas crianças estavam no local, indicando que o uso da roupa poderia ser ofensivo para elas. Em dado momento, Marcos lembrou que outras mulheres estavam no supermercado com short curto. Foi quando ouviu novamente: “O senhor é homem”. Veja o vídeo do momento da abordagem homofóbica:

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Tentaram me impedir de entrar no supermercado, perguntei o motivo e olha só o show de horrores: Ajudem a divulgar isso! Tenho que ME VESTIR COMO HOMEM porque ofendo crianças. Mas só EU, outras pessoas não. Que nome se dá pra esse tipo de discriminação? Só um adendo: se a opinião de quem está à frente do mercado me acha indigno de entrar ali por causa da minha roupa e que não posso ser visto pelas crianças (sou mau exemplo?), que guarde para si. Quando essa opinião tenta me barrar em um local de acesso público, temos um problema. Explicando toda a situação: Na noite de ontem, ao tentar entrar no Walmart de Itapuã, em Salvador, um funcionário tentou negar a minha entrada porque eu estava com um short curto. Mediante a vergonha da cena, abaixei o short duas vezes perguntando ao funcionário se com aquele tamanho eu poderia entrar. Ele fez sinais gestuais dizendo que não, abaixei mais um pouco, já humilhado naquela situação, e consegui entrar. Na hora da saída, ajeitei meu short e novamente vieram me repreender. Dessa vez, questionei ao segurança do vídeo sobre o porquê de todo esse incômodo comigo e a resposta foi essa que vocês estão vendo. Não gritei, não xinguei e nem agredi ninguém. A única coisa que eu fiz foi fazer perguntas, pedir esclarecimentos. Eu sou um homem gay, negro e pobre. Eu não iria cair na besteira de fazer “barraco” porque a gente sabe qual o lado fraco da corda. E todos nós sabemos que o sistema não dá a mínima para vidas como a minha. Também não posto sem o mosaico nos rostos porque, ao contrário do mural público que a internet parece ser, as pessoas tem o direito de ter sua imagem preservada e eu não quero receber processos por isso. Minha advogada está entrando com uma ação contra o supermercado por todo o vexame que ele me fez passar. É isso, não se calem mas também tentem agir com cuidado nessas situações, se possível. Deixe o outro tropeçar em suas próprias palavras, ele tem que se justificar, não eu. Do mercado, mais preparo e responsabilidade. Dos funcionários, mais humanidade.

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Em nota, o Grupo Big, que administra o supermercado, classificou a atitude dos funcionários como “inadmissível”. Terceirizado, o segurança que aparece nas imagens foi afastado.

“O Grupo BIG informa que o fato ocorrido no supermercado de Itapuã é inadmissível e não corresponde aos procedimentos e valores da empresa. Tomaremos as medidas cabíveis, como o afastamento do segurança terceirizado. A empresa está em contato com o cliente, colocando-se à sua disposição para toda assistência necessária nesse momento. Reiteramos que não aceitamos situações como essa e reforçamos nossos pedidos de desculpas ao cliente”, diz o posicionamento da empresa.

Advogada do estudante, Lorena Reis vai processar o supermercado e a empresa que contratou o segurança, tanto nas esferas cível quanto criminal.

“Na esfera cível, houve humilhação, uma questão vexatória. Vamos procurar algo na esfera indenizatória, algo reparatório dessa situação, de toda a circunstância que lhe magoou, lhe machucou, lhe envergonhou. Não é um mero dissabor. E há uma questão criminal muito pontual, de buscar reparação tanto de parte da empresa quanto do funcionário. É uma responsabilização, buscar uma retratação pública e notória proporcional ao agravo”, explicou. De acordo com ela, é possível apontar crime de homofobia na atitude dos funcionários, já que Marcos foi discriminado por conta de sua orientação sexual. (BN)