A aprovação de uma lei que restringe o uso de banheiros femininos a mulheres cisgênero provocou protestos e levantou preocupações entre mulheres trans. Durante manifestação na Câmara Municipal, participantes relataram insegurança, constrangimento e dificuldades no dia a dia.
A professora, artista e ativista Emy Santos, de 26 anos, contou que a nova regra aumentou o receio até em situações comuns. “Fui ao shopping e preferi não usar o banheiro, por não saber qual poderia acessar”, relatou. Segundo ela, o impacto vai além do momento, atingindo também a saúde emocional. “Já não era um espaço seguro, e agora o preconceito se intensifica”, afirmou.
A proposta de criação de um terceiro banheiro não é vista como solução por parte das manifestantes. Para Emy, a medida poderia reforçar a segregação. Ela defende o uso de acordo com a identidade de gênero, direito já reconhecido pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
A líder do movimento LGBTQI+, Cristiane Stefanny Vidal Venceslau, destacou que a exclusão é constante. “Quem não se encaixa no padrão já enfrenta dificuldades diariamente”, disse. Já a instrumentadora cirúrgica Kensy Palacio afirmou que o ambiente se tornou mais hostil, inclusive no trabalho, com receio de julgamentos e constrangimentos.
A educadora social Hellen Kadory também relatou mudança no comportamento das pessoas. “Há mais olhares e preocupação com possíveis situações de violência”, afirmou.
A lei foi sancionada após aprovação de projeto que também cria a Polícia Municipal de Proteção da Mulher. O texto determina que banheiros femininos em espaços públicos sejam destinados apenas a mulheres cisgênero e prevê ações educativas, além de fiscalização para cumprimento das regras.
O tema segue gerando debate e dividindo opiniões, com questionamentos sobre os impactos sociais e os direitos da população trans.


