Mulheres podem ser pastoras? Debate divide evangélicos no século 21

Debate teológico sobre ordenação feminina volta a crescer entre evangélicos, dividindo opiniões entre tradição bíblica e práticas modernas.

Imagem: Voz da Bahia

A pergunta “mulher pode ser pastora?” tem gerado debates intensos no meio evangélico contemporâneo. Enquanto denominações históricas, como batistas e presbiterianas, mantêm posicionamento tradicional, igrejas pentecostais e neopentecostais avançam na ordenação feminina, trazendo à tona discussões teológicas e culturais.

Recentemente, a pastora Ashley Wilkerson, da Pacific Coast Church, em Tacoma (EUA), afirmou que tradutores da Bíblia teriam alterado textos do Novo Testamento para reduzir a importância feminina na Igreja Primitiva, impedindo a ordenação de mulheres ao ministério pastoral.

Por outro lado, líderes e estudiosos conservadores defendem a interpretação tradicional. Um dos nomes mais conhecidos nesse debate é o reverendo Augustus Nicodemus, que voltou a tratar do assunto em seu canal no YouTube, durante um vídeo de perguntas e respostas.

“Essa é uma pergunta que tem dividido os evangélicos recentemente e causado grande polêmica. Biblicamente, eu entendo que não há restrição para o ministério da mulher na igreja, a não ser que ela exerça a autoridade espiritual que vem do ofício pastoral e presbiterial também”, explicou.

Segundo Nicodemus, as mulheres podem servir em diversas áreas, mas não devem assumir papéis de governo eclesiástico. Ele cita passagens bíblicas como 1 Timóteo 2 e 1 Coríntios 11 para fundamentar sua posição:

“O governo da igreja é exclusivo de homens cristãos qualificados. Jesus chamou 12 homens para serem apóstolos, os apóstolos nomearam 7 homens para serem diáconos, e as qualificações para presbíteros indicam que ele deve ser marido de uma só mulher”, afirmou.

Para o teólogo, a única restrição bíblica é que mulheres não sejam ordenadas como pastoras, presbíteras ou diaconisas em cargos autoritativos:

“Então, mulheres podem ser pastoras? Na minha opinião, não. Mas isso não quer dizer que elas não possam aconselhar, ajudar, visitar, confortar aqueles que estão em necessidade. E isso elas fazem muito bem”, concluiu.

Enquanto isso, igrejas que já adotam a ordenação feminina defendem que a limitação imposta às mulheres não se sustenta à luz da realidade cultural atual e da interpretação progressista das Escrituras.

O tema continua gerando livros, debates e opiniões divergentes dentro de um segmento que cresce no Brasil, segundo os últimos censos populacionais.

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