A pergunta “mulher pode ser pastora?” tem gerado debates intensos no meio evangélico contemporâneo. Enquanto denominações históricas, como batistas e presbiterianas, mantêm posicionamento tradicional, igrejas pentecostais e neopentecostais avançam na ordenação feminina, trazendo à tona discussões teológicas e culturais.
Recentemente, a pastora Ashley Wilkerson, da Pacific Coast Church, em Tacoma (EUA), afirmou que tradutores da Bíblia teriam alterado textos do Novo Testamento para reduzir a importância feminina na Igreja Primitiva, impedindo a ordenação de mulheres ao ministério pastoral.
Por outro lado, líderes e estudiosos conservadores defendem a interpretação tradicional. Um dos nomes mais conhecidos nesse debate é o reverendo Augustus Nicodemus, que voltou a tratar do assunto em seu canal no YouTube, durante um vídeo de perguntas e respostas.
“Essa é uma pergunta que tem dividido os evangélicos recentemente e causado grande polêmica. Biblicamente, eu entendo que não há restrição para o ministério da mulher na igreja, a não ser que ela exerça a autoridade espiritual que vem do ofício pastoral e presbiterial também”, explicou.
Segundo Nicodemus, as mulheres podem servir em diversas áreas, mas não devem assumir papéis de governo eclesiástico. Ele cita passagens bíblicas como 1 Timóteo 2 e 1 Coríntios 11 para fundamentar sua posição:
“O governo da igreja é exclusivo de homens cristãos qualificados. Jesus chamou 12 homens para serem apóstolos, os apóstolos nomearam 7 homens para serem diáconos, e as qualificações para presbíteros indicam que ele deve ser marido de uma só mulher”, afirmou.
Para o teólogo, a única restrição bíblica é que mulheres não sejam ordenadas como pastoras, presbíteras ou diaconisas em cargos autoritativos:
“Então, mulheres podem ser pastoras? Na minha opinião, não. Mas isso não quer dizer que elas não possam aconselhar, ajudar, visitar, confortar aqueles que estão em necessidade. E isso elas fazem muito bem”, concluiu.
Enquanto isso, igrejas que já adotam a ordenação feminina defendem que a limitação imposta às mulheres não se sustenta à luz da realidade cultural atual e da interpretação progressista das Escrituras.
O tema continua gerando livros, debates e opiniões divergentes dentro de um segmento que cresce no Brasil, segundo os últimos censos populacionais.


