OAB suspende advogadas acusadas de usar texto oculto para manipular IA da Justiça

Profissionais do Pará teriam inserido comando invisível em petição para influenciar sistema utilizado pela Justiça do Trabalho

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

A Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Pará suspendeu preventivamente, por 30 dias, as advogadas Cristina Medeiros e Luanna Sousa após a descoberta de um texto oculto inserido em uma petição judicial com o objetivo de influenciar um sistema de inteligência artificial utilizado pela Justiça do Trabalho.

A decisão foi assinada pelo presidente da seccional, Sávio Barreto, e encaminhada ao Tribunal de Ética e Disciplina da entidade. Segundo a OAB-PA, o caso representa risco à imagem institucional da advocacia.

As advogadas atuavam em um escritório especializado em Parauapebas e representavam um trabalhador em uma ação que tramita desde julho de 2025 na 3ª Vara do Trabalho do município.

A irregularidade foi identificada pelo juiz Luis Carlos de Araújo Santos Júnior durante a elaboração da sentença. O magistrado utilizava o sistema Galileu, ferramenta de inteligência artificial adotada pelo Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região, quando o software detectou um comando escondido no documento.

Segundo o processo, o texto estava escrito em fonte branca sobre fundo branco, tornando-se invisível para leitura humana, mas acessível aos algoritmos do sistema. A mensagem continha uma orientação para que a inteligência artificial analisasse superficialmente a petição e deixasse de contestar documentos apresentados.

O juiz classificou a prática como “prompt injection”, técnica usada para manipular sistemas automatizados por meio de comandos ocultos.

De acordo com o TRT-8, a intenção seria induzir a IA a produzir uma análise incompleta do processo, comprometendo a lisura da decisão judicial.

Além da suspensão temporária, as duas advogadas responderão a processo disciplinar na OAB, que poderá resultar em punições mais severas, incluindo exclusão dos quadros da entidade.

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