O prefeito de Barreiros, em Pernambuco, Carlinhos da Pedreira (PP), expulsou dois médicos plantonistas do Hospital Municipal Jailton Messias de Albuquerque aos gritos, na noite da quarta-feira (4). A abordagem foi gravada e divulgada nas redes sociais, gerando repercussão e uma manifestação de repúdio do Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe).
Durante a fiscalização, realizada de surpresa, o prefeito encontrou os dois profissionais, um homem e uma mulher, em uma sala identificada como “Estar Médico”, que estava trancada. Nas imagens, o gestor bate à porta, identifica-se e ordena que os ocupantes abram. Ao entrar, questiona a presença dos médicos no local e determina que deixem o hospital.
Na gravação, Carlinhos acusa os profissionais de estarem namorando durante o horário de trabalho, enquanto pacientes aguardavam atendimento. Segundo o prefeito, a vistoria foi motivada por reclamações sobre a demora na assistência. Ele afirmou que três médicos estavam escalados para o plantão, mas apenas um estaria atendendo no momento da fiscalização.
Horas depois, em outro pronunciamento, o gestor não repetiu a acusação de que os médicos estariam namorando. Ele afirmou que os profissionais estavam descansando durante o horário de atendimento e defendeu a decisão de retirá-los da unidade.
Cremepe critica exposição dos profissionais
Em nota divulgada nesta quinta-feira (5), o Cremepe manifestou repúdio à exposição pública dos médicos durante a abordagem.
O conselho afirmou que questionamentos sobre a assistência médica, o cumprimento das escalas e o funcionamento dos serviços de saúde devem ser tratados pelos meios institucionais e legais, sem constrangimento dos profissionais.
A entidade também ressaltou que a fiscalização de serviços públicos não autoriza gestores a submeter médicos ao julgamento público nem a comprometer sua honra, imagem e dignidade profissional.
Segundo o Cremepe, possíveis irregularidades devem ser apuradas pelos órgãos competentes, com respeito ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa. O conselho destacou ainda que a exposição nas redes sociais não substitui os procedimentos formais de apuração.
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