Pela primeira vez, Sergio Cabral admite ter recebido e pago propina

Foto: © Fabio Rodrigues Pozzebom/ Agência Brasil

O ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral (MDB) admitiu pela primeira vez que recebia propina e distribuía dinheiro a aliados políticos. A admissão ocorreu em depoimento prestado na quinta-feira (21) no Ministério Público Federal para falar do caso do ex-secretário Régis Fichtner, preso há dez dias. A confissão foi revelada pela GloboNews e confirmada pela Folha de S.Paulo. O emedebista afirmou que o ex-secretário da Casa Civil “recebia uma mensalidade paga pelo depoente com dinheiro recebido da propina em seu governo”. Ele disse que o valor do pagamento era de “algo em torno de R$ 100 mil a R$ 150 mil”. “Entendia que as pessoas que estavam a seu redor mereciam receber parte dos recursos, especialmente aquelas que prestavam serviços relevantes”, afirmou Cabral. O ex-governador afirmou que Fichtner recebeu propina na execução de contratos de concessão do metrô e do Maracanã, todos sob sua alçada. Também apontou corrupção nas desapropriações do porto do Açu.

Segundo o relato, as propinas vinham em grande parte por meio da contratação do escritório do irmão do ex-secretário. Cabral disse ainda que Fichtner fez pagamentos a alguns familiares seus até o fim de 2018. De acordo com o ex-governador, os repasses somaram R$ 100 mil e foram interrompidos a seu pedido. Ele está preso desde novembro de 2016. Em todos os seus depoimentos, o ex-governador vinha negando ter pedido propina a empresários. Ele afirmava ter se aproveitado de sobras de caixa dois de campanha. A mudança no tom faz parte da nova estratégia de defesa após a entrada do advogado Márcio Delambert no caso, o quinto desde novembro de 2016. A intenção é que Cabral assuma crimes, detalhe seus participantes e contribua com novas informações a fim de reduzir pena. A possibilidade de se fechar um acordo de delação no curto prazo é vista como remota.

O ex-secretário da Casa Civil foi preso pela segunda vez no dia 15, sob suspeita de receber ao menos R$ 4 milhões em propina. Ele já havia sido detido preventivamente em novembro de 2017, mas obteve habeas corpus três dias após a Operação Cest fini. No governo

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