A plataforma de compatibilidade eleitoral Tem Meu Voto, divulgada pelo apresentador Luciano Huck no domingo (27), foi retirada do ar nesta quinta-feira (1º) após uma série de questionamentos sobre os resultados apresentados aos usuários. A ferramenta, que se apresentava como gratuita e apartidária, recebeu críticas nas redes sociais depois que eleitores relataram maior proximidade com candidaturas identificadas com a direita e a centro-direita.
A repercussão também levou representantes políticos a acionarem órgãos de fiscalização. A deputada federal Fernanda Melchionna (PSOL-RS) recorreu à Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE) e ao Ministério Público Federal (MPF) para pedir apuração sobre a divulgação da plataforma. O Ministério Público Federal no Rio Grande do Sul também iniciou investigação relacionada ao caso.
Os principais questionamentos envolvem os critérios utilizados para calcular a compatibilidade entre eleitores e candidatos. Conforme a metodologia divulgada pela própria ferramenta, quando uma candidatura não responde ao questionário, o sistema pode estimar suas posições a partir de votações nominais na Câmara dos Deputados ou, em determinadas situações, pelo posicionamento atribuído à bancada do partido.
A seleção das votações consideradas e a interpretação sobre o sentido de cada voto são definidas pela organização responsável pela plataforma. O procedimento é classificado pela própria entidade como uma “decisão editorial”. A plataforma afirma, por outro lado, que não recomenda candidatos e que utiliza critérios iguais para as candidaturas.
Em nota sobre a suspensão, a Coalizão pelo Voto Consciente, responsável pelo Tem Meu Voto, negou que a ferramenta tivesse viés político. Segundo a entidade, a decisão foi motivada pela baixa adesão das candidaturas, que teria impedido a formação de uma base suficientemente diversificada para garantir a comparação entre diferentes opções.
A organização afirmou ainda que havia convidado partidos e candidaturas de diferentes espectros políticos para participar da iniciativa. Diante do pouco tempo disponível para ampliar a adesão antes das eleições, a coalizão decidiu interromper o funcionamento da plataforma neste ciclo eleitoral.






