Porto Seguro paga R$ 10 por peixe-leão capturado para conter avanço da espécie invasora

Estratégia já retirou 442 exemplares do mar; município criou plano para monitorar a espécie, que possui espinhos venenosos e ameaça o equilíbrio ambiental

A Prefeitura de Porto Seguro, no sul da Bahia, está pagando R$ 10 por cada peixe-leão capturado e entregue à Colônia de Pescadores Z-22. A medida foi adotada para tentar conter o avanço da espécie invasora na costa do município.

Segundo balanço divulgado no início de setembro, 442 peixes-leão já foram retirados da região. A ação faz parte de uma estratégia coordenada pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Causa Animal (SEMAC).

O município também criou o Plano Municipal de Ação para o Enfrentamento ao Peixe-Leão, publicado no Diário Oficial em 13 de agosto de 2026.

Espécie preocupa pesquisadores e órgãos ambientais

O primeiro registro oficial do peixe-leão em Porto Seguro ocorreu em 12 de junho, no Parque Natural Municipal Marinho do Recife de Fora. Antes da confirmação, o município já realizava ações de conscientização com pescadores, mergulhadores e outros usuários do ambiente marinho.

Originário do Indo-Pacífico, o peixe-leão é considerado uma espécie invasora por apresentar alta capacidade reprodutiva, comportamento predatório e ausência de predadores naturais eficientes nas águas brasileiras.

A espécie pode causar impactos sobre a fauna marinha e também representa risco para seres humanos. Os espinhos do animal possuem veneno e podem provocar acidentes em caso de contato.

O primeiro registro do peixe-leão na Bahia ocorreu em fevereiro de 2025, em Morro de São Paulo. Desde então, a espécie foi identificada em outros pontos do litoral baiano.

O incentivo de R$ 10 é considerado uma medida temporária. O plano prevê que pescadores e outras pessoas previamente treinadas e autorizadas possam receber bonificação pela captura.

Além da retirada dos animais, a estratégia busca reunir informações sobre localização, profundidade e quantidade de exemplares, permitindo acompanhar a expansão da espécie.

Os peixes-leão capturados não devem ser devolvidos vivos ao mar. A orientação é que sejam encaminhados, preferencialmente, ao Laboratório de Ecologia e Conservação Marinha (LECOMAR), da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), onde poderão ser utilizados em pesquisas.

Município prepara monitoramento permanente

O plano prevê a atuação conjunta entre órgãos municipais, estaduais e federais, com compartilhamento de informações com instituições como Sema, Inema, Ibama e ICMBio, além de municípios vizinhos.

Também deverá ser criado um canal oficial para que pescadores, mergulhadores, operadores de turismo e demais usuários do ambiente marinho comuniquem novos registros.

As informações poderão incluir fotografias, localização, profundidade e quantidade de animais encontrados. A intenção é formar uma base de dados georreferenciada para identificar áreas de maior concentração.

Pesquisadores também alertam para a possibilidade de presença do peixe-leão em áreas mais profundas, inclusive abaixo dos 30 metros, o que dificulta a identificação e a captura dos animais.

O plano municipal ainda prevê a criação de protocolos para atendimento de pessoas feridas pelos espinhos venenosos e capacitação de profissionais ligados ao turismo e ao ambiente marinho.

Consumo ainda não está liberado

Apesar de o município avaliar possibilidades de aproveitamento econômico da espécie, o consumo do peixe-leão não foi autorizado automaticamente.

Eventuais alternativas, como processamento e comercialização, ainda dependem de análises técnicas, sanitárias, ambientais e econômicas.

A estratégia deverá ser revisada conforme os resultados do monitoramento e das pesquisas. O plano tem validade por prazo indeterminado e prevê avaliação geral a cada dois anos ou antes disso, caso seja necessário.

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