Ex-agente do Mossad é apontado como possível elo na saída de Flávio Bolsonaro do Brasil

Reportagem do Fantástico identificou a presença de um homem apontado como ex-integrante do serviço de inteligência israelense em uma van que cruzou a fronteira com a Argentina antes do veículo que transportava familiares do senador.

Reprodução/X

Um homem identificado como Menachem Booky Halevy, apontado como ex-agente do Mossad, serviço de inteligência de Israel, aparece nas investigações sobre a saída do senador Flávio Bolsonaro (PL) do Brasil rumo aos Estados Unidos. Segundo reportagem do Fantástico, exibida no domingo (1º), ele estava em uma van que atravessou a fronteira com a Argentina poucos minutos antes de outro veículo que teria transportado o parlamentar e sua família.

A TV Globo teve acesso a registros do sistema de imigração argentino e a documentos relacionados à investigação. Conforme os dados apresentados pelo programa, Menachem entrou no Brasil em 19 de outubro, pelo Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo.

Na noite de 27 de outubro, duas vans de uma empresa de turismo de Foz do Iguaçu cruzaram a fronteira. Em uma delas, estavam registrados os dados da mulher e das duas filhas de Flávio. O sistema também apontou três registros de entrada do senador, feitos em horários diferentes e com documentos distintos. Dois deles, vinculados a documentos brasileiros, foram posteriormente cancelados. O registro com o passaporte italiano permaneceu válido.

Na segunda van, estavam o motorista Neri Luiz Dala Corte, o advogado Roberto Jorge Alexandre e Menachem Halevy. O motorista afirmou que foi contratado para buscar dois homens em Foz do Iguaçu e levá-los ao aeroporto de Puerto Iguazú. Ele negou ter visto integrantes da família Bolsonaro.

Investigação apura possível trajeto de avião

Além da travessia terrestre, a Polícia Federal investiga a possibilidade de Flávio ter deixado o Brasil em um jatinho ligado ao empresário e advogado Willer Tomaz, que é investigado por suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo negócios relacionados a apostas on-line. Os dois estão proibidos de manter contato por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Uma das linhas de apuração considera que o senador teria embarcado em um Cessna Citation Excel, de prefixo PR-AAA. Segundo a reportagem, a aeronave saiu de Brasília às 5h05 de 27 de outubro e pousou em San Fernando, na Argentina, às 8h40.

O avião é registrado em nome da Jet Line Locações e Serviços Aéreos, empresa que tem como sócias a irmã e a mulher de Willer Tomaz. A reportagem não esclareceu como Flávio teria percorrido o trajeto de aproximadamente 1,2 mil quilômetros entre San Fernando e Puerto Iguazú, onde embarcou no jatinho que seguiu para os Estados Unidos.

A mulher do senador e as duas filhas teriam viajado separadamente, de Brasília para Cascavel, no Paraná. De lá, uma van as buscou no aeroporto, e a família teria seguido por terra até a Argentina.

O voo internacional ocorreu em um Gulfstream G400, de prefixo LV-JQW. A aeronave partiu de Puerto Iguazú com destino a Guayaquil, no Equador, à 0h22 de 28 de outubro, onde pousou às 5h46. Depois da escala, seguiu para Miami, nos Estados Unidos, com chegada às 10h24. O trajeto evitou o espaço aéreo brasileiro.

Flávio e Willer Tomaz negam irregularidades

Procurado pela TV Globo, Flávio afirmou que só concederia entrevista se a conversa fosse exibida na íntegra. Segundo o senador, a emissora não aceitou a condição. Ele também criticou a possibilidade de uma reportagem sobre sua viagem ser exibida sem seu direito de resposta.

Em nota, o advogado Frederick Wassef afirmou que a viagem não foi oficialmente confirmada e negou que o senador tenha fugido do país. A defesa declarou que Flávio não responde a processo criminal, não foi indiciado, não é réu e não possui condenação. Também sustentou que a investigação em andamento envolve terceiros e não apresenta provas ou indícios contra o parlamentar.

A assessoria de Willer Tomaz também negou que aeronaves pertencentes a ele ou a empresas ligadas à família tenham sido utilizadas por Flávio e seus familiares para deixar o Brasil. O advogado ainda rejeitou acusações de lavagem de dinheiro e afirmou que as movimentações financeiras foram realizadas de maneira rastreável.

Flávio não é considerado foragido da Justiça, uma vez que não há mandado de prisão contra ele. A investigação busca esclarecer as circunstâncias de sua saída do país e os trajetos utilizados pelo senador e seus familiares.

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