Rui Costa e Jaques Wagner criticam decisão dos EUA sobre PCC e CV e defendem soberania do Brasil

Petistas classificam medida do governo Trump como “midiática” e reforçam defesa da PEC da Segurança Pública

Rui Costa e Jaques Wagner em campanha por Lula no passado — Foto: Divulgação

O ex-ministro da Casa Civil e pré-candidato ao Senado Federal, Rui Costa, e o senador Jaques Wagner, ambos do PT, defenderam a soberania nacional após o governo dos Estados Unidos anunciar a classificação das facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.

As declarações foram dadas nesta sexta-feira (29), durante a abertura da ação conjunta dos programas Governo do Brasil na Rua e Periferia de Direitos, realizada no Centro Social Urbano de Pernambués, em Salvador.

Rui Costa classificou a decisão do governo americano como “midiática” e afirmou que os Estados Unidos deveriam focar em combater o tráfico internacional de armas. Segundo ele, grande parte do armamento apreendido no Brasil tem origem norte-americana.

“O governo americano deveria impedir a fabricação e a entrada de armas de alto calibre que abastecem organizações criminosas. É preciso mais ação concreta e menos medidas midiáticas”, declarou o petista.

O ex-governador da Bahia também criticou a política de segurança dos Estados Unidos, afirmando que o país enfrenta dificuldades internas no combate ao tráfico de drogas e à violência.

Já Jaques Wagner afirmou que a medida terá efeito apenas dentro do território americano e destacou que o Brasil não aceitará interferência externa em assuntos nacionais.

“Não vamos abrir mão da nossa soberania nacional. Essa decisão vale internamente para os Estados Unidos”, afirmou o senador.

Wagner também criticou o senador Flávio Bolsonaro, a quem acusou de buscar apoio externo para interferência política no Brasil.

Durante o evento, os dois petistas ainda defenderam a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, enviada pelo governo federal ao Congresso Nacional. Segundo Rui Costa, a proposta busca ampliar a atuação da União no combate ao crime organizado.

Wagner afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva também avalia a criação de um Ministério da Segurança Pública para integrar as inteligências policiais e fortalecer o enfrentamento às organizações criminosas.

A classificação do PCC e do CV como organizações terroristas foi anunciada pelo secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio. A medida passa a valer a partir de 5 de junho.

Segundo o governo americano, as facções brasileiras possuem atuação internacional e ligação com crimes violentos e redes ilícitas que ultrapassam as fronteiras do Brasil.

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