Salvador: À espera da candidata derrotada da OAB, eleitores de Ana Patrícia lamentam ‘continuidade’

No Rio Vermelho, bairro nobre e boêmio de Salvador, o comitê de Ana Patrícia Dantas Leão, candidata derrotada à presidência da OAB-BA, se destaca logo em frente ao Largo da Mariquita. Com fotos da advogada e do seu vice, Tourinho, a fachada exibia palavras-chave: resgate; pluralidade; respeito; e coragem. Elas refletiam o desejo dos apoiadores da chapa oposicionista.

Esses apoiadores foram chegando ao local a partir das 17h, logo após o término da votação. Não havia confiança, mas esperança. Expectativa de mudança na gestão da OAB. “A classe não é valorizada, não é respeitada. Hoje, o advogado só paga a anuidade e não recebe nada de volta”, reclamou Bruno Leonardo.

“Precisamos de uma diretoria que nos represente, que fortaleça a classe. Uma diretoria que lute pelos nossos interesses e não por interesses particulares. Hoje, nossa classe está abandonada. É como se tivéssemos um deus que não olha por nós”, criticou o advogado.

“O funcionamento da OAB e do próprio Poder Judiciário na pandemia foi lastimável, vergonhoso”, pontuou a advogada Ludmila Amazonas.

Mas logo às 17h42, já se tinha a informação: a candidata Daniela Borges, representante da situação, tinha sido eleita a primeira mulher presidente da OAB-BA. O comitê ainda não reunia muita gente e o abatimento era claro no rosto de cada apoiador de Ana Patrícia.

Advogado Bruno Leonardo | Foto: Enaldo Pinto / Ag. Haack / Bahia Notícias

“É a continuidade de um grupo político que não faz mudanças. E o que nós queremos é mudança. Valorização da classe, dos honorários. Queremos ser atendidos pelo Judiciário, para que nossos clientes sejam ouvidos. Infelizmente, a gestão atual, que vai se perpetuar, não vem fazendo isso”, definiu Bruno Leonardo.

Carros adesivados com o número “86”, de Daniela, passavam buzinando. Um desses veículos tinha o advogado criminalista Luiz Coutinho, com o tronco do lado de fora através do teto solar. Ele cantava “Chore na minha”, da banda de pagode “Saiddy Bamba”, e deu três voltas ao redor do comitê. Não houve resposta.

Mesmo com a derrota anunciada, amigos e famílias com adesivos da campanha oposicionista foram chegando e se sentando. Alguns bebiam água, mas a maioria das mesas tinham baldes de cerveja. A expectativa passou a ser pela chegada de Ana Patrícia, por uma palavra de esperança.

Às 19h30, Ana Patrícia ainda não tinha chegado. Mas seus apoiadores não arredaram o pé do comitê.  “Eu acho que ela vem”, disse Bruno Leonardo. “Ela tem que vir, para falar com a gente”. (por Lula Bonfim / Bahia Notícias)

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