Sobe para 11 número de pacientes que perderam a visão após cirurgia de catarata em clínica de Salvador

Pacientes tiveram infecção após procedimentos realizados no dia 26 de fevereiro; clínica segue interditada enquanto autoridades investigam possível contaminação.

Clínica oftalmológica é interditada em Salvador após pacientes denunciarem perda de visão por causa de cirurgia de catarata — Foto: Reprodução/TV Bahia

Subiu para 11 o número de pacientes que perderam a visão de um dos olhos após realizarem cirurgia de catarata em uma clínica particular de Salvador. A atualização foi divulgada nesta segunda-feira (9) pela Secretaria Municipal de Saúde de Salvador.

Segundo a pasta, todos os pacientes precisaram passar por evisceração ocular, procedimento cirúrgico que consiste na retirada da parte interna do globo ocular. A medida foi necessária após o desenvolvimento de uma infecção grave no pós-operatório.

Na semana passada, o número de pacientes com indicação para o procedimento era de nove. Com a nova atualização, o total chegou a onze casos.

As cirurgias foram realizadas no dia 26 de fevereiro em uma mesma sala cirúrgica. Ao todo, 26 pessoas passaram pelos procedimentos naquele dia e atualmente todas estão sendo acompanhadas por equipes médicas.

Os pacientes seguem internados e sob cuidados no Hospital Geral do Estado (HGE) e no Hospital Santa Luzia. De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, nenhum deles possui previsão de alta médica até o momento.

A próxima etapa do tratamento prevê o encaminhamento dos pacientes para reabilitação no Instituto dos Cegos da Bahia, em Salvador. O acompanhamento será feito por uma equipe multiprofissional, incluindo médicos, terapeutas e psicólogos, com o objetivo de oferecer suporte físico e emocional.

A clínica onde ocorreram as cirurgias, a Clivan Clínica de Oftalmologia, permanece interditada há cerca de uma semana. Além disso, o contrato da unidade com a prefeitura foi suspenso enquanto as investigações seguem em andamento.

Investigação e posicionamentos

O oftalmologista que teria realizado as cirurgias conversou por telefone com a equipe da TV Bahia na última semana, mas pediu para não ter o nome divulgado. Segundo ele, atua na área desde 2013 e nunca havia enfrentado uma situação semelhante.

O profissional afirmou ainda que aguarda o resultado da investigação conduzida pela vigilância sanitária, que deverá apontar se houve contaminação em algum insumo ou instrumento cirúrgico utilizado nos procedimentos.

Em nota, a clínica informou que todos os protocolos clínicos, técnicos e de biossegurança foram seguidos durante as cirurgias, desde a avaliação pré-operatória até o acompanhamento pós-cirúrgico.

A unidade destacou ainda que realiza mais de 8 mil cirurgias por ano e possui histórico de segurança e qualidade nos atendimentos, classificando o episódio como pontual. A clínica também afirmou que permanece à disposição das autoridades para esclarecimentos e reforçou o compromisso com o acompanhamento dos pacientes afetados.

As autoridades de saúde seguem investigando o caso para identificar a causa das infecções e eventuais responsabilidades.

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