Um surto da chamada “doença da urina preta”, conhecida cientificamente como doença de Haff, levou autoridades de saúde a reforçarem o alerta no Amazonas. Pelo menos três casos foram confirmados pela Fundação de Vigilância em Saúde após o consumo de peixes bastante populares no país.
As ocorrências foram registradas em Itacoatiara, envolvendo moradores da área urbana. Dois episódios aconteceram entre junho e dezembro de 2025. Entre os principais sintomas relatados estão dores musculares intensas, fraqueza e urina escura — sinais típicos da enfermidade.
Exames laboratoriais identificaram níveis elevados da enzima creatinofosfoquinase (CPK), com média de 6.400 µ/L, indicando lesão muscular. Segundo as autoridades, os sintomas surgiram cerca de nove horas após a ingestão do pescado.
A doença de Haff costuma estar ligada ao consumo de peixe contaminado ou mal conservado. Diante disso, órgãos de fiscalização iniciaram uma força-tarefa para investigar estabelecimentos e verificar a procedência dos produtos vendidos.
Durante uma operação em Manacapuru, a cerca de 68 quilômetros de Manaus, o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), com apoio da Polícia Militar Ambiental, apreendeu mais de 100 toneladas de pescado de diferentes espécies sem licença ambiental. O estabelecimento foi multado em mais de R$ 2 milhões, e o caso será encaminhado ao Ministério Público do Estado.
De acordo com o diretor-presidente do Ipaam, Gustavo Picanço, a situação é grave e exige rigor na fiscalização, principalmente em um momento de atenção redobrada à saúde pública.
O órgão orienta que consumidores comprem peixe apenas em locais regularizados e que exijam nota fiscal. As ações de controle devem ser intensificadas em todo o estado para reduzir riscos à população e proteger os recursos naturais.





